Manaus dom, 8 nov
A Crítica
Parintins

Criatividade parintinense ganha as ruas com carro híbrido de Gol e Tucson

Técnico em refrigeração automotiva transforma dois carros em um só veículo e planeja agora construir uma limusine com três modelos diferentes. "A gente faz alegoria, faz boi, por que não pode fazer um carro?"

Publicado em 25/06/2025 às 16h08 · Atualizado em 25/06/2025 às 16h41
Criatividade parintinense ganha as ruas com carro híbrido de Gol e Tucson
Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

A criatividade parintinense transcende os limites do Bumbódromo, do senso comum e até os limites do trânsito. A prova cabal disso está em uma alegoria menor que as apresentadas na arena, mas ainda assim tão surpreendente quanto: um carro que, na verdade, é dois — metade Gol geração 4, metade Tucson. A inusitada obra, que circula pelas ruas da Ilha Tupinambarana, é de autoria do técnico em refrigeração automotiva João Carlos, 50 anos, um homem que faz do seu dom em lidar com veículos uma forma de arte.

A ideia do projeto surgiu a partir de uma necessidade, já que ele vive entre Parintins e outras viagens para o interior.

“Quando viram o que eu estava fazendo, as pessoas diziam: ‘vão prender [o carro]’, ‘esse cabra é doido’. Mas era por necessidade, eu tinha que andar para poder ir pro interior. Aí uni o útil ao agradável. Ele agora tem até mais estabilidade, puxo 100 km/h ou 120 km/h e, nessa velocidade, o outro rodava, mas esse não”, conta João Carlos.


O criador e a criatura: a engenhosa ‘alegoria automotiva’ foi obra de João Carlos, 50 anos, que atua como técnico em refrigeração automotiva. Foto: Paulo Bindá ()

 

MARIDO ENGENHOSO

Uma das pessoas que teve receio da ideia foi Sara Andrade, esposa do técnico, que de início achou perigoso, mas com o passar do tempo percebeu que o ‘novo veículo’ era seguro.

“Ele tinha esse Gol e um carro que o pai deixou pra ele e não queria que levasse esse carro pro interior, por causa da estrada e da lama. Ele então disse: ‘eu vou fazer um carro pra mim então’. Aí um cliente nosso deixou essa Tucson aqui e deu pra ele. Um dia eu cheguei em casa e olhei aquilo, perguntei: ‘o que você está fazendo?’ e ele só disse: ‘vou fazer um GolTucson’. Meu medo era o carro desmanchar. Ele só disse: ’a gente faz alegoria, faz boi, por que não pode fazer um carro?’”, conta a esposa.


Sara Andrade, esposa de João, ao lado do ‘Gol Tucson’. Foto: Paulo Bindá ()

 

McGyver Parintinense?

O GolTucson está na família há cinco anos e contou com a ajuda de um soldador de alegorias do Boi Garantido para ganhar vida. Ele possui um motor EA111 Power 1.0, 8v, tendo também duas placas, documentos e rodas diferentes (o que torna necessário dois estepes).


Cada parte do carro possui suas respectivas peças, sendo a parte do Tucson com rodas aro 16, e as do Gol aro 13, entre outras particularidades. Foto: Paulo Bindá ()

 

Segundo o proprietário do veículo, ele é utilizado principalmente para trabalho e, apesar de inusitado, não tem nenhum problema com o Detran. E quando surge um problema no carro, a criatividade dá um jeito.

“[Um dia] eu estava voltando de Juruti, e o carro parou no meio da estrada. Estava sem água, ferveu, mas aí lembrei do McGyver. Então peguei um terçado e fui no mato, cortei uma embaubeira pequena, medi a grossura, escalavrei e coloquei no lugar da mangueira de água e apertei com duas braçadeiras. Aí, como o carburador estava seco, vi um pouco de água perto de uma poça de lama e usei uma garrafa PET para encher o radiador, e funcionou. Rodei mais três meses com essa gambiarra, não queria nem tirar mais porque ficou muito bom”, relata João Carlos.

“Ele chegou em casa dizendo: ‘tu não vai acreditar no que eu fiz’. Aí quando vi, era uma mangueira de pau no carro. Eu disse: ’tu tá andando assim, João? Tira isso aí agora!’”, relata a esposa.


Foto: Paulo Bindá ()

 

Novas criações

A criatividade do mecânico ainda está longe de acabar, e ele já projeta qual será sua próxima alegoria automotiva. 

“Eu tenho vontade de fazer uma limusine, pegando um Gol e outro carro mais comprido. Seria juntar três carros. Um dia, se Deus quiser, eu faço. Só preciso de uns parceiros que a gente faz”, conclui.