Manaus dom, 1 nov
A Crítica
Parintins

Dia do orgulho: bandeiras dos bumbás dividem lugar com as cores do arco-íris

Hoje (28) é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+

Publicado em 28/06/2023 às 15h15
Dia do orgulho: bandeiras dos bumbás dividem lugar com as cores do arco-íris
Foto: Jeiza Russo

O que você vai ler:

– Bandeira do orgulho LGBTQIAPN+ divide espaço com pavilhões dos bois Garantido e Caprichoso
– Ação em parceria com a Sejusc é em prol do Dia Internacional do Orgulho, celebrado hoje (28)
– A flâmula nas cores do arco-íris ficará erguida até o fim deste mês

Parintins (AM) – Nesta quarta-feira (28) é celebrado o Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ e os bois-bumbás Garantido e Caprichoso irão dividir o lugar dos pavilhões erguidos nos respectivos currais, com a bandeira das cores do arco-íris. A ação é uma parceria das duas associações com a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). A bandeira ficará erguida a partir dessa terça-feira (27) até o fim deste mês.

O presidente interino do Boi Garantido, Adson Silveira, pontuou a importância de hastear a bandeira do orgulho. “Nós apoiamos a causa. E peço que a galera também apoie e acabe com o preconceito e a discriminação de uma vez por todas”, declarou.

Questionado sobre as ações efetivas para coibir práticas homofóbicas e transfóbicas, Adson, disse que “faz orientações junto à diretoria social do boi com os trabalhadores e dançarinos”. 

A vice-presidente do Movimento Amigos do Garantido (MAG) e diretora social, Ana Lúcia Holanda, afirma que na próxima sexta-feira (30), primeira noite de apresentações, na arena irá demonstrar apoio à causa e pontuou as ações desenvolvidas contra homofobia e transfobia.

“Nós entregamos informativos ao longo da temporada em Manaus, pedindo respeito. Tivemos uma preocupação. Além do que fazemos aqui no Garantido, o mais importante são as pessoas e o respeito”, declarou. 

No Garantido, a regra máxima é que a cor do boi Caprichoso não entra no curral Lindolfo Monteverde, então, o azul da bandeira LGBTQIAPN+ ganhou tons lilás. Da mesma forma, no curral Zeca Xibelão, em respeito ao lugar, o vermelho do orgulho, ganhou tons de coral.


Trabalhadores do galpão do Garantido hastearam a bandeira (Foto: Jeiza Russo)

 

“A Sejusc possui uma diretoria de diversidade de gênero onde acompanha questões de denúncias de caráter homofóbica e transfóbica. E além disse estamos trabalhando em Parintins para o fortalecimento dessa rede: sensibilizando as pessoas pela causa”, declarou a secretaria-executiva de direitos humanos, Gabriella Campezatto. 

Do lado azul…

A bandeira também foi hasteada no curral Zeca Xibelão, ao lado das cores azul e branco do Caprichoso. Durante o ato, a toada “Toda forma de amor” na voz da levantadora de toada, Paula Gomes, embalava o momento. O presidente do boi negro, Jender Lobato, salientou a diversidade presente no Caprichoso.

“É um boi que historicamente luta pelas causas sociais e minorias, e também é um boi da diversidade. Esse momento é importante para que possamos dizer que temos orgulho em ter na nossa torcida e nos núcleos a diversidade”, pontuou. 

Sobre as ações que o Caprichoso desenvolve para combater homofobia e transfobia, Jender declarou que sempre teve ações contra esses crimes desenvolvida pelo setor de Recursos Humanos (RH) do bumbá.

“Nós sempre repreendemos atos como esse. A Priscila Molinari, a nossa secretaria, sofreu um ato de transfobia no Expopin deste ano e nos mobilizamos em defesa dela”, ponderou. Lobato se refere ao episódio em que Molinari teve a inscrição impugnada para concorrer na Exposição Agropecuária de Parintins (Expopin), como Rainha. 

Ato importante

A levantadora de toadas, Paula Gomes, diz que ter a bandeira do arco-íris ao lado do pavilhão do Caprichoso representa mais um passo contra o preconceito. “Imagina eu, uma mulher negra, preta, carregando um black power, cantando no meio dos homens, ocupando lugares antes não se ocupava. O Caprichoso não está somente nas palavras, mas abrindo espaços que é nosso por direito e de fala. Eu estou aqui como mulher preta, gay e cantora dentro da minha cidade. Estou muito emocionada de ver essa bandeira e a mensagem: seja bem-vindo e seja quem você quiser ser”, disse.  


A levantadora de toadas Paula Gomes diz que ter a bandeira do arco-íris ao lado do pavilhão do Caprichoso representa mais um passo contra o preconceito (Foto: Jeiza Russo)

 

Sobre a data

O dia 28 de junho é mundialmente conhecido como o do Orgulho LGBTQIAPN+ instaurado após a Revolta de Stonewall. Em 1969, o Stonewall Inn, no boêmio Greenwich Village, um bairro famoso por abrigar bares gays de Nova York considerados marginalizados da sociedade. Àquela época, as relações entre pessoas do mesmo sexo eram consideradas crime em quase todos os estados americanos. Em Nova York, a homossexualidade só deixou de ser criminalizada nos anos 1980.

Na madrugada do dia 28 de junho, o bar foi invadido pela terceira vez na mesma semana, sob a alegação de que a venda de bebida alcoólica era proibida. Funcionários e frequentadores, muitos deles travestis e drag queens, foram presos e agredidos. 

No entanto, a violenta abordagem gerou uma reação dos presentes: depois de uma noite tensa de conflitos, parte da comunidade LGBTQIA+ foi às ruas protestar nos arredores do Stonewall Inn, demonstrando orgulho de ser quem eram e confrontando a polícia. As manifestações duraram seis dias  e mobilizou cerca de milhares de pessoas em diversos pontos da cidade. 

A sigla

Atualmente, o acrônimo LGBTQIAPN+ representa, respectivamente, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexo, assexuais, pansexuais e não-binários. O sinal “+” serve para abranger a pluralidade de orientações sexuais e variações de gênero.

Para fins didáticos:

Lésbicas: mulheres que sentem atração sexual e afetiva por outras mulheres.

Gays: homens que sentem atração sexual e afetiva por outros homens.

Bissexuais: indivíduos que sentem atração sexual e afetiva por homens e mulheres.

Transgêneros: pessoas que assumem o gênero oposto ao de seu nascimento.

Queer: designa pessoas que não se encaixam à heterocisnormatividade, que é a imposição compulsória da heterosexualidade e da cisgeneridade.

Intersexo: quem não se adequa à forma binária (feminino e masculino) de nascença. Ou seja, seus genitais, hormônios e demais características não se encaixam na forma tradicional de masculino e feminino.

Assexuais: pessoas que não possuem interesse sexual.

Pansexuais: indivíduos que têm atração física, amor e desejo sexual por outras pessoas, independentemente de sua identidade de gênero.

Não-binários: pessoas que não se identificam com nenhum gênero, que se identificam com vários gêneros, entre outras.