‘Praça da Tradição’ homenageia os ‘baluartes’ do Boi Caprichoso
Inaugurada no noite do último sábado (24), o espaço traz esculturas de Roque Cid, Luiz Gonzaga e Luiz Pereira - nomes que marcaram a trajetória do boi azul - e será utilizado para lançamentos de livros, contação de histórias, quermesses e mais
O que você vai ler:
– ‘Praça da Tradição’ é inaugurada nas imediações do Curral Zeca Xibelão
– Praça traz esculturas de casas por onde o bumbá brincou e de Roque Cid, Luiz Gonzaga e Luiz Pereira
– Espaço exalta os nomes que construíram a trajetória do Boi Caprichoso
Parintins (AM) – Uma pequena praça traz esculturas das casinhas dos tempos de outrora nas paragens da Francesa. Posicionada ao centro, estava uma réplica do Boi Caprichoso e três esculturas, representando Roque Cid, Luiz Gonzaga e Luiz Pereira, considerados alguns dos três baluartes da história do Touro Negro da América. Batizado de “Praça da Tradição”, o espaço, inaugurado oficialmente na noite do último sábado (24) nas imediações do Curral Zeca Xibelão, em Parintins, reverencia todas as mãos que construíram o Boi Caprichoso, de acordo com Ericky Nakanome, presidente do conselho de artes do bumbá azulado.
“Nós não escolhemos construir um mito. Nós escolhemos, de todos os donos do Caprichoso, três nomes para contar essa trajetória: Rock Cid, representando todos os seus irmãos; Luiz Gonzaga, o dono que ficou mais tempo com a brincadeira de boi; e Luiz Pereira, que foi o último dono do boi antes de se transformar em grupo folclórico, para depois virar associação folclórica. Esses três personagens representam ali os mais de 30 nomes que carregaram a tradição do boi”, afirma Ericky.

Ericky Nakanome, presidente do conselho de artes do Boi Caprichoso (Junio Matos)
As casinhas que emolduram a pequena praça representam os espaços por onde o Boi Caprichoso brincou. “Na São Visconde, hoje atual Sá Peixoto, passou pela Rua Cordovil e pela Rua Rio Branco, e chega na Cordovil, que é o nosso último curral antes de vir para o Zeca Xibelão. Então a praça é lugar de memórias para que as pessoas possam interagir, brincar e, principalmente, rememorar essa tradição gigante, coletiva e construída a muitas mãos, que é a tradição do Boi-bumbá Caprichoso”, coloca o presidente da comissão de artes.
A praça possui cerca de 8 metros por 6 metros de dimensão. A ideia é que, quando ela estiver completamente pronta, seja totalmente interativa. “Boa parte dela já é. Então a gente pode se sentar com nossos fundadores, nossos donos nos bancos, pode brincar. A ideia é fazer a interação do torcedor com as esculturas”, pontua Ericky. O espaço também será destinado para atividades como o lançamento de livros, as quermesses, o encontro com os baluartes do bumbá e com a velha guarda do Boi. “É um espaço para encontro da velha guarda com contação de histórias, essa parte comunitária menor, onde não precisa fazer lá no curral, que é grande. Mas aqui a gente consegue acender uma fogueira e fazer uma festa mais intimista com a tradição de boi”, complementa ele.

A pracinha está em fase de finalização (Junio Matos)
As esculturas de Roque Cid, Luiz Gonzaga e Luiz Pereira são feitas de isopor, sob a técnica de pastelagem. “Mas elas são fibradas, como aquele material de orelhão, trazido para a gente aguentar chuva e sol”, diz ele. “A ideia é fomentar, potencializar a memória do Boi Caprichoso. O nosso boi tem história, mas pelo fato de ser de mão em mão, passado por várias famílias e ser uma construção coletiva, às vezes a gente tem dificuldade de contar, porque é muita gente, muitas histórias e memórias de homens e mulheres que construíram todas essas memórias coletivas do boi”, finaliza ele.
Parte das memórias

Odinéa Andrade, madrinha do Boi Caprichoso (Junio Matos)
Uma das pessoas presentes na inauguração da “Praça da Tradição” foi a professora aposentada Odinéa Andrade, madrinha do Boi Caprichoso. Nostálgica, ela relembrou dos tempos em que o Boi Caprichoso era armazenado em sua casa, localizada na Herbert de Azevedo; e dos tempos em que a residência era palco para a construção dos elementos que compunham o boi de Arena.
“Era todo santo dia, e durante o dia todo. Lá tinha costureira, tinha pintor, tinha desenhista – tudo o que precisa dentro do boi, tinha dentro da minha casa. Eu sou professora aposentada, e o meu dinheiro era pra comprar comida pra todo mundo que estava lá. Tinha dias que não tinha dinheiro, aí olhava todo o povo trabalhando. A gente comia peixe, ovo e farofa, mas ninguém reclamava: todo mundo trabalhava feliz”, ponderou ela, que fica feliz por ver parte da história reconhecida e eternizada na praça. “O Caprichoso foi construído por várias mãos, nunca só uma. Ele cresceu, evoluiu”.