Amazonas é o 5° estado do país com mais mortes envolvendo acidentes com motocicletas
Dados mostram aumento de 12% em um ano; especialistas alertam para a necessidade de ações efetivas de segurança no trânsito.
O Amazonas é o quinto estado brasileiro e o primeiro na Região Norte no número de óbitos envolvendo acidentes com motocicletas, segundo dados do Atlas da Violência 2025, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). De acordo com o documento, entre 2022 e 2023, ocorreu um aumento de 12% no número de mortes em acidentes de trânsito envolvendo motos no Estado.
Conforme o Atlas da Violência de 2025, nos últimos dez anos (2013 a 2023), 2.166 (83,9%) motociclistas faleceram em decorrência de acidentes de trânsito no Amazonas. Durante este mesmo período, 4.705 morreram por acidente de trânsito no Estado.
O documento revela que o estado com mais óbitos desta natureza no país é o Piauí (69,4%), seguido de Ceará (59,5%), Alagoas (58,4%), Sergipe (57,3%) e o Amazonas (54,4%). Na Região Norte, o Amazonas é o primeiro lugar em mortes por motocicletas, seguido de Tocantins (49,8%) e Rondônia (48,2%).
O especialista em trânsito e perícia, membro da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM), Haniery Mendonça, vê os dados com muita preocupação, pois a tendência seria reduzir os números de acidentes e no ano passado também houve um aumento de mortes relacionados aos motociclistas. “Esse ano já aconteceram vários, principalmente, neste mês, que é voltado para trabalhar a redução dos sinistros de trânsito”, disse o especialista.
De acordo com Mendonça, a maioria dos acidentes de trânsito, cerca de 98%, envolvem a questão da velocidade. “Nos últimos dez anos, como o Atlas está falando, são números muito altos, porque quando se fala em trânsito é simplesmente um deslocamento, então, não é para se perder uma vida no trânsito e estamos perdendo. Com isso existem vários fatores: temos um transporte público muito defasado, então as pessoas começaram a migrar para os outros modais, que influenciam para a questão do sinistro”, explicou o especialista, que ressaltou que os trabalhadores de motocicletas são os mais afetados com esses acidentes de trânsito.
Acessibilidade econômica
Para o especialista em engenharia, gestão e direito de trânsito, educação e cidadania, Wendell Menezes, esses dados refletem uma tendência preocupante observada em várias regiões do Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que é aumento significativo no uso de motocicletas, impulsionado por fatores como acessibilidade econômica e agilidade no trânsito.
“Estudos revelam que a frota de motocicletas vem aumentando muito, já que é um veículo mais acessível e de custo operacional baixo. A elevada proporção de mortes envolvendo motociclistas no Amazonas destaca a necessidade da aplicação da tríade do trânsito, ou seja, trabalhos de educação para o trânsito com campanhas educativas, melhoria na infraestrutura viária, e a fiscalização de trânsito”, pontuou Menezes.
Segundo ele, o fator primordial para a mudança desse cenário está na ação do ser humano, pois cada pessoa é responsável pelo seu comportamento no trânsito.
“É necessário que o cidadão tenha consciência da sua responsabilidade no trânsito, pois quando falamos de trânsito, estamos falando de mobilidade urbana, que envolve diversos usuários do trânsito (condutor, passageiro, ciclista, pedestres). Sou eu que tomo a decisão como motociclista de usar o capacete ou não, sou eu que decido se conduzo o veículo dentro do limite de velocidade da via, sou eu que decido se vou beber e dirigir entre outras atitudes, então, percebemos que cada um deve fazer sua parte para que juntos possamos somar esforços para a melhoria do trânsito”, explicou.
Capital
Segundo o especialista em mobilidade urbana, Rafael Cordeiro, o quantitativo é preocupante, pois fazendo uma comparação com 2023 e 2024, ocorreu um aumento de 21% no número de vítimas fatais de acidentes de trânsito em Manaus.
“Desses dados 51% também são motociclistas e desde 2009 esse grupo tomou a liderança com primeiro lugar de vítimas fatais. Isso é preocupante, pois não estamos vendo ações enérgicas do poder público seja nível municipal. Essa é minha opinião de enxergar, pois vemos algumas ações pontuais para dizer que foi feito algo, mas não existem ações de enfrentamento, confrontamento e mudar o comportamento dos nossos condutores, em especial os motociclistas”, enfatizou Cordeiro.
Mais Informações
Segundo o Atlas da Violência, aprofundar o conhecimento sobre as mortes de jovens no trânsito também possibilita o planejamento de ações específicas, como campanhas de conscientização sobre os riscos da direção sob efeito de álcool e outras drogas.
De acordo com o documento, entre os principais desafios identificados, destaca-se a urgência de enfrentar o problema da sinistralidade das motocicletas. Esse modo representa, simultaneamente, uma importante fonte de renda para parcelas significativas da população e um dos maiores focos de sinistros graves no país, o que exige políticas que conciliem inclusão produtiva com segurança viária e proteção à vida.