Família de Débora e Arthur clama por justiça dois anos após o crime
Assassinada grávida aos 18 anos, Débora Alves foi vítima de um crime bárbaro que chocou Manaus
Julho marca dois anos de um dos crimes mais brutais e chocantes registrados no Amazonas nos últimos tempos: o assassinato de Débora da Silva Alves, jovem de 18 anos grávida de oito meses do pequeno Arthur. O caso, que ganhou repercussão nacional pela crueldade, pelo desaparecimento e ocultação do corpo, segue em tramitação judicial, enquanto a família clama por justiça.

Grávida de oito meses, Débora da Silva Alves foi assassinada aos 18 anos (Foto: Divulgação)
Débora desapareceu em 29 de julho de 2023. O corpo foi encontrado dias depois, no início de agosto, em uma área de mata no bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus. A jovem foi morta de forma cruel: seu cadáver estava dentro de um barril de óleo, com sinais de extrema violência. Segundo a Polícia Civil do Amazonas, o principal suspeito é Gil Romero Machado Batista, de 41 anos, que se recusava a reconhecer a paternidade do bebê.
José Júnior, pai de Débora, falou com a reportagem sobre a dor de perder a filha e o neto.
“Dificilmente a sentença dos envolvidos nesse feminicídio será relaxada. Eles torturaram, ocultaram o cadáver e praticaram o aborto contra minha filha. A defesa tenta evitar o Júri Popular, mas acreditamos que a justiça será feita”, desabafou José Júnior.
Tramitação judicial
O processo penal tramita na 2.ª Vara do Tribunal do Júri do Amazonas, sob o número 0203203-58.2024.8.04.0001. A ação está em grau de recurso em instância superior, já que a defesa recorreu da decisão de pronúncia — etapa que define o julgamento por júri popular. Os réus seguem presos enquanto aguardam a definição do julgamento.
O advogado Vilson Benayon, defensor de Gil Romero, confirmou que aguarda o resultado do recurso que tenta evitar o júri.
O crime
Débora foi vista pela última vez em 29 de julho de 2023, ao sair com Gil Romero para, supostamente, comprar o berço do bebê. O corpo foi localizado em 3 de agosto, em uma usina termoelétrica desativada no Mauazinho.
Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios (DEHS), Débora foi torturada, estrangulada, teve o útero aberto e o feto retirado. O corpo foi fervido em óleo diesel dentro de um tonel. Gil fugiu logo após o crime.

Gil Romero e José Nilson estão presos, acusados por feminicídio e ocultação (Foto: Divulgação)
Ele foi capturado no dia 8 de agosto, em Curuá, no Pará, durante uma operação conjunta. Confessou ter matado Débora e lançado o corpo do bebê em um rio. José Nilson, conhecido como “Nego”, foi preso em 4 de agosto e alegou ter apenas ajudado a transportar o corpo para ser queimado.
A DEHS indiciou Gil Romero e José Nilson pelos crimes de feminicídio triplamente qualificado (motivo fútil, sem chance de defesa e crueldade), ocultação de cadáver, aborto e associação criminosa. A pena pode chegar a até 40 anos de prisão. A data do julgamento ainda não foi definida.