Operação Xeque-Mate desarticula esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho
Grupo movimentava mais de R$ 122 milhões do tráfico internacional de drogas
Três pessoas foram presas na operação Xeque-Mate, deflagrada na manhã desta segunda-feira (6) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas (Fico). Elas foram identificadas como Emídio Rodrigo Costa Bernardes, Lucas Regis da Silva e Cristina Cavalcante Nascimento, apontados como responsáveis pela lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas.
De acordo com as investigações, o grupo integra o alto escalão da facção criminosa Comando Vermelho (CV), sendo responsável pela movimentação financeira do tráfico internacional.
Cristina é esposa do narcotraficante Alan Sérgio Martins Batista, conhecido pela polícia como “Alan Índio” ou “Senhor das Plásticas”. Já Emídio foi preso em uma casa no Parque das Laranjeiras, zona centro-sul de Manaus. Segundo a investigação, ele atuava como operador financeiro e operacional do grupo ligado a Alan Índio.

(Foto: Divulgação)
Alan Índio é um dos alvos desta fase da operação, mas segue foragido. De acordo com informações da Polícia Federal, ele está em local incerto e, nos últimos anos, teria feito cirurgias plásticas para despistar as autoridades, além de utilizar documentos falsos em viagens ao exterior.
As investigações apontam que o grupo operava um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada, estruturas paralelas de pagamento e uma fintech apelidada de “Carto”, em referência à palavra “cartel”.
Durante a ação, foram cumpridos cinco mandados de prisão e cinco mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens avaliados em R$ 122 milhões nas cidades de Manaus (AM) e Guarujá (SP). Também foram apreendidos joias, relógios e artigos de luxo.
A operação Xeque-Mate é um desdobramento das operações Torre 1, 2, 3 e 4, que têm como objetivo desarticular o principal núcleo de comando do crime organizado no Amazonas.
As investigações revelaram que um dos líderes do grupo criminoso mantinha-se ativo mesmo estando na Colômbia, sob identidade falsa, de onde enviava ordens diretas aos subordinados no Brasil.
O investigado foi vinculado à propriedade de parte de um carregamento superior a duas toneladas de drogas, apreendido em setembro de 2024, em Manaus. Para dar aparência de legalidade aos lucros ilícitos, o grupo utilizava terceiros e um complexo esquema financeiro.
A rede de lavagem de dinheiro era sustentada pelo uso de fintechs, empresas de fachada e estruturas paralelas de pagamento. As transações eram realizadas por aplicativos, o que reduzia o nível de fiscalização do sistema bancário tradicional. Assim, os criminosos conseguiam misturar valores ilícitos com operações legítimas, criando uma falsa aparência de legalidade.
Mais de R$ 122 milhões circularam nessa rede clandestina. Parte do dinheiro foi convertida em criptoativos e enviada ao exterior, principalmente para a Colômbia, como forma de pagamento direto a fornecedores de drogas.
A localização dos alvos contou com o apoio estratégico da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai-AM), que forneceu subsídios de inteligência determinantes para o êxito da operação. A cooperação entre a Polícia Federal e autoridades colombianas também foi essencial para o andamento das investigações.