“A gente não pode normalizar”, diz Alessandra Campelo após ameaças durante debate
Candidata a vice-governadora do Amazonas na chapa de Omar Aziz (PSD), conseguiu medida protetiva contra Alexandre Salazar (PL) e Kidson Maia (PL)
A deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), candidata a vice-governadora do Amazonas na chapa de Omar Aziz (PSD), afirmou que se sente mais segura após a Justiça Eleitoral conceder medidas protetivas contra Alexandre Salazar (PL) e Kidson Maia (PL). Em entrevista à TV A Crítica, nesta quinta-feira (15), ela disse que registrou Boletim de Ocorrência (BO) por ameaça e violência política de gênero após episódio durante debate eleitoral em Manaus.
Segundo Alessandra, as ameaças teriam continuado depois do gesto que simulava um corte na região do pescoço, feito por Kidson Maia durante o debate de terça-feira (13). A deputada afirmou que os vídeos do episódio mostram o gesto e relatou que também foi alvo de publicações nas redes sociais.
“Eu registrei uma ocorrência de ameaça, de violência política de gênero e ameaça reiterada porque, após aquele episódio que todo mundo viu, do gesto da degola, que ele fez por três vezes e não só uma vez como está afirmando, ele foi para as redes sociais mais duas vezes me ameaçar, dizendo que ia jogar sujo, me xingando, incentivando haters e mensagens de ódio contra mim”, disse.
A parlamentar disse que recebeu a decisão judicial com serenidade e destacou que as medidas contribuem para sua segurança. A Justiça determinou que Salazar e Kidson mantenham distância mínima de 200 metros dela, não entrem em contato com a deputada e cumpram restrições relacionadas ao porte de armas.
Alessandra afirmou que pretende continuar a campanha ao lado de Omar Aziz, mantendo a estratégia adotada desde o primeiro turno, com apresentação de propostas e sem ataques aos adversários.
“Eu acredito na democracia. Eu vou continuar fazendo campanha. A gente tem feito uma campanha propositiva desde o primeiro turno, sem ataques a ninguém. A gente ataca problemas, a gente apresenta propostas”, disse.
Deputada cita violência política contra mulheres
Questionada sobre já ter acompanhado situações semelhantes na política, Alessandra afirmou que conhece outros casos de violência política de gênero, inclusive situações em que a Justiça decretou a prisão de agressores contra mulheres que ocupam cargos públicos.
Ela ressaltou, porém, que esta foi a primeira vez que registrou pessoalmente uma ocorrência desse tipo. Para a deputada, o caso deve servir de alerta contra ameaças e ofensas dirigidas a mulheres que exercem funções públicas.
“Não é só uma deputada, uma servidora pública, uma secretária. Enfim, qualquer pessoa que exerce um cargo público é violência política de gênero, e a gente não pode normalizar”, afirmou.
A parlamentar também defendeu o enfrentamento desse tipo de violência e lembrou que mulheres são vítimas de agressões e assassinatos no Brasil e em outros países.