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A Crítica
Política

Após Lula rir de ameaça de morte, Moro pergunta: “Você não tem decência?”

Lula disse que vê uma "armação" de Moro nas investigações da Polícia Federal (PF) que barraram o atentado

Publicado em 23/03/2023 às 19h58
Após Lula rir de ameaça de morte, Moro pergunta: “Você não tem decência?”
Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi duramente criticado pelo senador Sergio Moro (União Brasil – PR), nesta quinta-feira (23), após opinar sobre o plano da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar autoridades, entre elas, o ex-juiz da Lava Jato. Lula disse que vê uma “armação” de Moro nas investigações da Polícia Federal (PF) que barraram o atentado, levando à prisão de pelo menos nove pessoas que planejaram as mortes dos agentes públicos. 

“Eu vejo hoje um presidente dando risada de uma família ameaçada pelo crime organizado, sugerindo que o próprio ministro da Justiça do seu governo que informou que o plano para o meu sequestro seria uma armação. Então quero perguntar: O senhor não tem decência? O senhor não tem vergonha desse seu comportamento? O senhor não respeita o sofrimento de uma família inocente? O senhor não respeita a liturgia do cargo?”, perguntou o senador sobre a manifestação do presidente. 

Lula afirmou que a suposta armação era “visível”. Além disso, também citou a juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro como juíza da Lava Jato e responsável por condenar Lula no caso da chácara de Atibaia. Gabriela Hardt foi quem que expediu os mandados do caso, e o petista disse que iria buscar entender a sentença.  

“Eu acho que é mais uma armação do Moro. Quero ser cauteloso, é visível que é uma armação do Moro. Vou pesquisar, vou saber. Fiquei sabendo que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele. Eu vou pesquisar e saber o porquê da sentença. Não vou ficar atacando ninguém sem ter provas e, se for mais uma armação, ele vai ficar mais desmascarado ainda. Não sei o que vai fazer da vida se continuar mentindo do jeito que está mentindo”, disse Lula durante um evento no Rio de Janeiro, nesta quinta. 

Moro afirmou ainda que é alvo do PCC e “está sofrendo os riscos do combate que fez ao crime organizado” quando era juiz federal no Paraná e ministro da Justiça e Segurança Pública, no governo de Jair Bolsonaro (PL).  

“É um risco que não deveríamos ter. Assumimos esse risco e cumprimos o nosso dever. Se acontecer alguma coisa com a minha família, a responsabilidade está nas costas desse presidente da República por fazer pouco caso, por rir da ameaça e dessa forma incentiva a violência contra mim e a minha família”, disse Moro. 

Já o ministro Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que a investigação prova que não há aparelhamento na PF. “A investigação é tão séria que foi feita em defesa da vida e da integridade de um senador de oposição ao nosso governo”, declarou ontem. 

Além de Sérgio Moro, o promotor do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, também era um dos alvos do grupo. Gakyia faz parte do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Presidente Prudente (SP). Ele investiga a facção há mais de uma década e já recebeu diversas ameaças de morte.  

A PF prendeu na quarta-feira (22) nove pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa que planejou a morte dos agentes públicos. Além disso, cumpriu ainda sete mandados de prisão preventiva, quatro mandados de prisão temporária e 24 mandados de busca e apreensão.