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A Crítica
Política

Após reunião com Alckmin, prefeito avalia que exploração de potássio será destravada

Andreson Cavalcante, de Autazes, se encontrou com o ministro da Indústria durante a Marcha dos Prefeitos

Publicado em 02/04/2023 às 11h53
Após reunião com Alckmin, prefeito avalia que exploração de potássio será destravada
Foto: Divulgação

“Nunca vi tanto interesse do governo federal pela exploração de potássio como agora”, afirmou para A CRÍTICA o prefeito de Autazes (AM), Andreson Cavalcante, resumindo seu encontro esta semana com ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.

A reunião  ocorreu após o titular da pasta, que também é vice-presidente da República, visitar Manaus e defender o projeto de mineração.

“Essa agenda me animou bastante. O vice-presidente até me surpreende como profundo conhecedor da matéria, do minério de Autazes chamado potássio, essa riqueza natural que está no subsolo, importantíssimo para o agronegócio brasileiro”, disse o gestor municipal. 

O encontro aconteceu em Brasília, na terça-feira (28), em meio à 24ª Marcha dos Prefeitos, evento em que gestores vão à capital do país para apresentar as demandas das prefeituras. 

“O projeto está sendo tratado pelo governo federal como estratégico de Estado. Portanto, um projeto de interesse nacional e não apenas de Autazes, não apenas do Amazonas. Estou confiante de que nós vamos encontrar caminhos, vamos encontra entendimentos jurídicos, entendimentos com os povos indígenas, que é o que trava, hoje, o projeto, pra que esse projeto possa sair do papel e que todos possam ganhar com isso”, ressaltou Cavalcante.

Justiça

A exploração do minério foi levada à Justiça Federal do Amazonas ainda em 2016, quando o Ministério Público Federal (MPF) identificou que o Governo do Amazonas concedeu a licença prévia ambiental para o empreendimento sem consultar o povo Mura, que habita a região há séculos. 

Atualmente, os indígenas estão em processo de formação de uma opinião única, por meio de assembleias nas aldeias, para dizer se aceitam receber alguma proposta da Potássio do Brasil, empresa que detém os direitos da exploração. Caso digam ‘sim’, depois irão avaliar o que a empresa propor e decidir se aceitam o acordo.

Outro ponto ressaltado pelo MPF é o fato de parte do empreendimento estar localizada em um território ancestral do povo Mura, a terra Soares/Urucurituba. Embora os indígenas peçam a demarcação do território desde 2003, conforme documentos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o procedimento está parado há 20 anos. 

Interesse

O interesse pelas minas de potássio em Autazes cresceu no início da guerra entre Ucrânia e Rússia, em fevereiro do ano passado. O país russo e um de seus aliados na guerra, a Bielorrússia, são grandes exportadores de fertilizantes feitos a partir do potássio. 

“O Brasil importa 98% do seu consumo para o agronegócio brasileiro. Portanto, [a exploração de Autazes] tem a ver com a balança comercial do Brasil, com a nossa economia. A mina de Autazes tem potencial de produzir até 30% do consumo brasileiro, por até trinta anos, e com potência em estudo ainda maior”, defendeu o prefeito de Autazes para A CRÍTICA.


O encontro entre Andreson Cavalcante e o ministro Geraldo Alckmin chegou a ser compartilhado a investidores pela Potássio do Brasil. O texto, compartilhado em inglês, é intitulado “forte apoio do vice-presidente do Brasil à produção doméstica de potássio”.