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A Crítica
Política

Bancada coletiva ambiental quer pauta climática na CMM

Formada por 11 membros, o grupo busca pautar a crise climática e os efeitos em Manaus, segundo o grupo, tema esquecido na atual legislatura

Publicado em 16/07/2024 às 19h43
Bancada coletiva ambiental quer pauta climática na CMM
Foto: Divulgação/Fátima Oliveira

A Federação Psol/Rede lança nesta quarta-feira (17) a pré-candidatura da ‘bancada coletiva ambiental’, que promete pautar a crise climática e seus efeitos em Manaus, tema esquecido na atual legislatura da Câmara Municipal. O grupo é formado por 11 membros e inclui desde cientistas e servidores públicos até indígenas e ativistas comunitários do Amazonas.

O lançamento da pré-candidatura ao parlamento municipal será às 9h, na Praça das Flores, bairro Planalto. A data foi escolhida em alusão ao Dia de Proteção às Florestas, celebrado neste 17 de julho. Porta-voz da Rede Sustentabilidade Amazonas e ativista ambiental, Gilberto Ribeiro integra a bancada e é quem terá o nome registrado na urna. Ele critica a atual legislatura da CMM e diz que não há preocupação com os impactos da crise climática na cidade. 

“Fui duas vezes à Câmara Municipal de Manaus neste ano para debater essa questão. Uma vez a convite do vereador Rodrigo Guedes, que tem esse olhar, e depois pelo vereador Kennedy Marques, que propôs o debate. Porém, os demais componentes ali não estão muito preocupados com isso. Não tem interesse nenhum. Por isso a gente resolveu que precisava fazer alguma coisa”, comenta.

A reportagem fez um levantamento junto ao Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL) da Câmara. Nos quatro anos da atual legislatura, a busca por proposituras relacionadas ao clima só retornou dois resultados. O primeiro é o projeto de lei que alterou o nome da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade para acrescentar, ao final, “e Mudança do Clima”.

Já a segunda é um projeto de resolução proposto pelo vereador Elan Alencar (DC), que cria a Frente Parlamentar de Prevenção, Informações e Monitoramento de Desastres Climáticos e Ambientais. O texto aguarda apreciação em plenário há dois meses. Ele chegou a ser pautado em 22 de maio, mas foi retirado do cronograma do dia por ausência do autor da proposta.

Gilberto destaca que o clima é um entre outros temas relacionados, também defendidos pela bancada. “A gente vê muita discussão dos ecossistemas distantes da cidade, mas quando você fala dos ecossistemas urbanos, no nosso caso, os igarapés, as áreas verdes, enfim, todos esses ecossistemas foram, de alguma forma, ocupados de maneira irregular. Isso precisa ser revisto”, comenta ele.

Membros

Dos 11 membros da bancada coletiva, oito são filiados ao partido Rede, uma ao Psol e outros dois não integram partidos políticos. A ideia é que Gilberto tenha o nome na urna eletrônica, mas todos atuem conjuntamente nas articulações políticas e na propositura de projetos. Confira ao final o nome de todos os participantes. 

“A decisão de nos unirmos à proposta de pré-campanha da bancada ambiental surgiu após encontro com ambientalistas de Manaus que entendem ser necessário pautar a questão climática e ambiental na capital amazonense. Decidimos em coletivo que é necessário discutir como pautar essas questões que se colocam urgente, considerando todos os problemas causados pelo homem na ecologia do planeta”, afirma um dos membros, o administrador Jossimar Farias. Ele é um dos fundadores do partido Rede Sustentabilidade e atua na causa climática desde 2011.

Administradora e integrante da Associação dos Movimentos Ambientais do Amazonas (AMA), Fátima Barbosa também integra a bancada. Para ela, o grupo pode contribuir com soluções para problemas relacionados à vida nas cidades, associados ao meio ambiente.

“Hoje nossa cidade vem sofrendo demasiadamente com os problemas relacionados à deficiência ou até mesmo falta de diretrizes claras para uma gestão municipal eficiente, que cuide ou pelo menos consiga mitigar os problemas mais simples que afetam diretamente a nossa população, por exemplo, o saneamento básico que está intimamente ligado a saúde e qualidade de vida das pessoas”. 

“Vamos cuidar das áreas de preservação permanentes já existentes e cuidar para que novas áreas de fragmentos florestais sejam protegidas; reflorestar a nossa cidade para que ela possa deixar de ser a segunda capital menos arborizada do país, criar mecanismos para o fortalecimento das associações de catadores, que fazem um trabalho bastante significativo ao recolher e destinar resíduos sólidos para as cooperativas, contribuindo com a geração de renda”.

Todos os integrantes da bancada têm histórico de ativismo ambiental e interesse pela causa.

Confira os nomes:

 Ana Paula Paiva – engenheira florestal;
Eulalia Vasques – professora aposentada;
Fátima Barbosa –  administradora;
Felipe Carvalho – advogado ambiental;
Tom Nascimento –  fundador da Parada Ambiental;
Jossimar Ferreira – servidor público;
Lázaro Mura – indígena e ativista ambiental;
Francisco Pinheiro – professor de filosofia;
Gilberto Ribeiro – gestor público e líder comunitário;
Jardel Vasques – ativista ambiental;
Valéria Pedrosa – estudante e agente ambiental.