Brasil registra menor desmatamento em oito anos
Desflorestamento caiu 9% em 2025, na Amazônia, mesmo percentual observado no Amazonas
Após iniciar 2026 com o pé esquerdo, com um vazamento durante a perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, o governo Lula (PT) tem uma boa notícia na área ambiental: o desmatamento caiu nos dois maiores biomas do país no ano passado.
Em 2025, a área sob alerta de desmatamento na amazônia foi de 3.817 km², redução de 8,7% na comparação com 2024. No cerrado, o índice foi de 5.369 km², queda de 9% em relação ao ano anterior.
O índice na amazônia em 2025 foi o menor em oito anos, enquanto no cerrado foi a taxa mais baixa desde 2021. Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e foram divulgados nesta sexta-feira (9).
O Deter mapeia e emite alertas de desmate com o objetivo de orientar ações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e outros órgãos de fiscalização. Os resultados representam um alerta precoce, mas não são o dado fechado do desmatamento. Os números oficiais são de outro sistema do Inpe, o Prodes, mais preciso e divulgado anualmente.
Este foi o segundo ano consecutivo em que houve queda no desmate em ambas as regiões. Ainda assim, o estrago foi grande: somando os dois biomas, o total de vegetação perdida no ano passado foi de 9.186 km² —o equivalente a seis vezes a área da cidade de São Paulo.
O ritmo de queda nas áreas sob alerta de desmate na floresta amazônica vem desacelerando. Partindo de patamares altíssimos —de mais de 10 mil km² em 2022— deixados pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2023 o índice caiu pela metade. Já em 2024, a redução foi de 19%.
Procurado, o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) afirma, em nota, que a desaceleração observada em parte de 2024 está associada à seca extrema, que elevou os índices de degradação florestal, especialmente em razão dos incêndios florestais. “Ainda assim, a tendência de queda do desmatamento foi mantida”, diz a pasta.
Saiba mais
Mato Grosso respondeu por quase metade da área desmatada na amazônia, 1.497 km². Terceiro maior índice da série histórica, iniciada em 2015, o valor representa um aumento de quase 60% em relação a 2024. Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) também se destacam na região. Apesar do patamar alto, ambos tiveram redução de 36% e 9% do desmatamento, respectivamente.