Manauaras vão às ruas contra PL da Dosimetria
Após Câmara dos Deputados aprovar a diminuição de penas para condenados do 8 de janeiro, manifestantes se posicionaram contra antes da votação no Senado Federal
Estudantes, indígenas e mulheres se reuniram no centro de Manaus durante este domingo (14) em manifestação contra o projeto de lei que beneficia os condenados por tentativa de golpe de Estado no “8 de janeiro”, a PL da Dosimeria.
Os manifestantes se concentraram na avenida Getúlio Vargas e se direcionaram às dependências da praça da Igreja da Matriz em uma passeata durante a manhã deste domingo. A ação faz parte de uma mobilização que acontece em outras capitais e no Distrito Federal. Em Manaus, foi capitaneado por membros de partidos políticos e movimentos sociais como o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), bem como a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Movimento foi convocado após a PL da Dosimetria passar na Câmara dos Deputados (Junio Matos)
A assistente social Elizabeth Modernel foi uma das mulheres presentes que fizeram questão de levar membros da família, no caso dela a filha. Entre as várias frases de afirmação no cartaz que escreveu, a primeira em destaque é um apelo contra o feminicídio. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas mostram que Manaus teve alta de 59% nos pedidos de medidas protetivas da janeiro até a primeira quinzena de dezembro deste ano em comparação com todo 2024.
“Saí de casa cedo porque a gente deve educar nossos filhos para a liberdade e democracia desde sempre. A sensação é de medo, olhar para os lados e se proteger, ainda mais que tenho uma filha, se pudesse, colocaria ela em uma redoma para proteger ela de tantos perigos”, comentou.

A assistente social Elizabeth Modernel protestou contra anistia e o aumento de casos de feminicidio (Junio Matos)
Outro grande apelo dos manifestantes foi contra as medidas que amenizam as consequências para os participantes do ato golpista do 8 de janeiro. O Senado analisa agora, depois da aprovação na Câmara dos Deputados, um chamado “projeto da dosimetria”. O texto prevê medidas como a absolvição de crimes com penas menores e a progressão das penalidades de forma mais rápida que atualmente.
“É um absurdo o que a gente tem vivido nos últimos anos, um congresso que não trabalha para o povo; parece que estamos anestesiados, a gente tem que ocupar as ruas para ter mudança de verdade”, disse a pesquisadora e psicóloga , Gisele da Silva.

Juliana Frota, militante do PSTU e membro do Movimento Mulheres em Luta (Junio Matos)
Entre os representantes dos movimentos que iniciaram a mobilização também houve aqueles que cobraram coerência do Governo Federal. Juliana Frota, militante do PSTU e membro do Movimento Mulheres em Luta, deixou claro que além das adequações dentro do poder legislativo também é necessário que a atual gestão do executivo execute aquilo que foi prometido em campanha eleitoral.
“O governo Lula se elegeu dizendo que ia revogar essas reformas, tanto da previdência quanto a trabalhista. A gente tá aqui também para cobrar que cumpra o que prometeu, as leis que prejudicam os trabalhadores ainda estão aí e a gente tá nas ruas para lutar por uma vida mais digna!”, comentou.

Manifestantes iniciaram a caminhada na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Manaus (Junio Matos)