Primeira mulher a chefiar Ministério da Saúde, Nísia denuncia campanha misógina
Considerada um nome técnico à frente do Ministério da Saúde, a saída de Nísia da pasta foi especulada várias vezes
Primeira mulher a chefiar o Ministério da Saúde, pasta com o terceiro maior orçamento do governo federal, a ex-ministra Nísia Trindade disse, nesta segunda-feira (10), que foi alvo de uma campanha misógina nos 25 meses em que esteve no cargo.
“Ainda que o sentimento predominante em mim seja satisfação por ter feito parte da equipe do presidente Lula e ter servido ao meu país, não posso esquecer que, durante os 25 meses em que fui ministra, ocorreu uma campanha sistemática e misógina de desvalorização meu trabalho, minha capacidade e minha idoneidade”, afirmou.
A fala da ex-ministra aconteceu durante o evento de posse do novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a quem ela desejou sucesso à frente da pasta nesta segunda metade do governo Lula.
“Não é possível e não aceito, como acho que não devemos aceitar como natural, um comportamento político desta natureza. Podemos e devemos construir uma nova política, baseada, efetivamente, no respeito — e destaco o respeito a nós mulheres — e no diálogo em torno de propostas para melhorar a vida da nossa população”, pontuou.
Considerada um nome técnico à frente do Ministério da Saúde, a saída de Nísia da pasta foi especulada várias vezes. Isso ocorreu, especialmente, entre aqueles que defendiam uma indicação política para o cargo, o que facilitaria o contato com as lideranças do Congresso.
Após assinar o termo de posse ao lado do presidente Lula, Padilha iniciou seu discurso expressando agradecimentos e reconhecendo o trabalho de Nísia Trindade à frente do Ministério da Saúde. Ele ressaltou sua atuação como cientista e pesquisadora na reestruturação do SUS “após o período de negacionismo vivido no país”.
Além de aliado político do presidente Lula, Alexandre Padilha é deputado federal (PT-SP), cargo do qual está licenciado. É médico infectologista formado pela Universidade de São Paulo (USP), doutor em Saúde Pública pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor universitário. Padilha foi ministro da Saúde entre os anos 2011 e 2014. Desde 2023, era ministro chefe da Secretaria de Relações Institucionais.