Reitor da Ufam defende exploração de potássio em Autazes
Instituição assinou Protocolo de Intenções com a mineradora Potássio do Brasil, em março
Em entrevista ao podcast Sim & Não, de A CRÍTICA, o reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sylvio Puga, defendeu a exploração de potássio em Autazes (AM). O empreendimento está judicializado desde 2016, por estar sobreposto a uma área habitada por indígenas do povo Mura.
Em março, a universidade assinou um Protocolo de Intenções com a mineradora Potássio do Brasil para realizar ações voltadas a minimizar os impactos socioambientais na região. Há expectativa de que também sejam realizadas ações conjuntas de ensino, pesquisa e extensão ligadas ao projeto da Potássio.
“A presença da Ufam é a total garantia para as populações tradicionais que elas serão respeitadas, e é para isso que estamos lá, não estamos por outros motivos. Qual a visão que se tem? Conservacionista? Então ninguém vai fazer mais nada? Esse é o debate”, afirmou o reitor.
Ele disse que a Ufam foi procurada em 2017 para tratar do tema e que a instituição realizou estudos de avaliação sobre o empreendimento. Questionado sobre se havia um ‘contrasenso’ em assinar o acordo ao mesmo tempo em que a Ufam atua com indígenas, Sylvio Puga disse que não. A obra é criticada por parte do povo Mura.
“Vou dizer o porquê não há contrasenso. Nos nossos estudos, nós defendemos os próprios indígenas. Eu já recebi na minha sala inúmeros indígenas a favor do empreendimento. Já recebi dizendo ‘reitor, somos a favor e queremos a Ufam’, então essa narrativa de dizer que eles são contra eu até escuto, mas digo, ‘e aqueles que estiveram lá comigo são o quê?’ indígenas”, disse ele.
O projeto defendido pelo Governo do Amazonas, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e por parlamentares do estado é visto como um empreendimento importante para o país. O potássio é utilizado na produção de fertilizantes, cujo consumo no Brasil é abastecido, principalmente, por importações da Rússia e Bielorrúsia.
“A pergunta é, para o futuro, nós queremos continuar importando fertilizantes? Já sabemos de quem vamos importar, porque no mundo só tem eles [Rússia e Biolorrúsia], ou queremos aqui, com toda a técnica, todo o cuidado ambiental, todo cuidado aos indígenas, fazer esse trabalho aqui?”, questionou o reitor.
Por outro lado, o Ministério Público Federal (MPF), autor da ação que judicializou a obra, aponta que o projeto afeta três áreas indígenas em Autazes: uma demarcada (Paracuhuba), uma em demarcação (Jauary) e outra reivindicada pelos indígenas desde pelo menos 2003 (Soares/Urucurituba), segundo documentos da Funai.