Rozenha defende ocupação habitacional de prédios abandonados no Centro Histórico de Manaus
Após o projeto habitacional no antigo prédio da Receita Federal, outros espaços podem ser ocupados
“O Centro de Manaus virou uma cracolândia”, disse o deputado Rozenha ao defender que mais prédios abandonados no Centro Histórico de Manaus sejam recuperados para projetos habitacionais. O antigo prédio da Receita Federal deve se tornar um conjunto de moradias com benefício a 85 famílias.
O deputado destacou que conversas devem ser feitas para trazer mais comércios ao local e que transformar os edifícios abandonados é o começo.
“Virou uma cidade deserta, virou área absolutamente abandonada. Para se ter ideia, na Av. Sete de Setembro, entre a Getúlio Vargas e a Joaquim Nabuco, existe uma loja aberta, aos trancos e barrancos, à duras penas, as Lojas Americanas. Nesse quadrado nasceu a Foto Nascimento, temos o prédio Antônio Simões, apesar de abandonado, nesse quadrado nasce CO e está tudo abandonado”, relatou o deputado.
Rozenha disse que muitas empresas e pessoas estão deixando o Centro por ser uma área de criminalidade.
“É um lugar onde assassinos e ladrões se sentem à vontade para cometer crimes”, disse o parlamentar.
O deputado defendeu que ocupar essas construções seriam mais vantajosas aos cofres públicos.
“É mais barato do que comprar terreno em áreas valorizadas para construir moradia para baixa renda. Vamos conversar com os proprietários desses imóveis, comprar e compartilhar. É uma solução definitiva para repovoar, para humanizar e trazer renda para uma área que não pode ser esquecida”, disse Rozenha.
Entre os pontos levantados por Rozenha é que o turismo tem sido fortemente afetado pela falta de segurança e ocupação dos espaços.
“O trajeto para chegar no mirante é como passar por um sarajevo, como passar pela faixa de gaza, o duro é tu chegar no mirante, porque até chegar lá, o risco de ser assaltado é muito grande”, disse o deputado.
O Centro é uma área com prédios culturais e de arquitetura histórica, conforme o historiador Luca Premoli, por representar tanto o patrimônio amazonense, as reformas devem seguir regras e ‘são caras’.
“As adequações estruturais necessitam de adaptações significativas para uso residencial, a manutenção contínua pode ser onerosa e enfrenta questões legais e burocráticas, como a aprovação de reformas pode ser demorada e complicada”, avaliou o historiador.
Por outro lado, Premoli destacou que as ocupações dinamizam o Centro e podem deixar mais seguro, garantir a conservação desses prédios, reutilizar os espaços sem mais impactos ambientais e impulsionar o comércio.
“O maior problema é que os prédios ‘abandonados’, em sua maioria são antigos, possuem historicidade e compõem parte de área de tombamento, logo, somente com o IPHAN (responsável pelo patrimônio histórico) pode determinar o que se fazer com eles, aliás, o centro histórico é parte do PAC Cidades Históricas do país”, destacou Premoli.
O historiador ressaltou que embora tenham regras para reformas e adaptações, os conjuntos habitacionais podem reduzir a marginalização.
“Desde que sejam bem planejados e implementados com uma abordagem sensível às necessidades sociais e culturais da comunidade local. Políticas públicas integradas, participação da comunidade e parcerias entre setor público e privado são essenciais para o sucesso dessas iniciativas”, informou Luca Premoli.