A escalada da obesidade: doença crônica não para de crescer no Brasil
Especialistas explicam porque isso ocorre e como podemos frear este aumento preocupante
Predisposição genética, dietas ricas em carboidratos e gorduras, sedentarismo e distúrbios mentais são algumas das possíveis causas da obesidade – a doença crônica que precisa ser tratada por toda a vida, e que não para de crescer no Brasil.
Segundo especialistas, a prevenção começa ainda na infância quando adquirimos os hábitos alimentares e outros hábitos de vida. Já o combate deve ser feito com uma equipe multidicisplinar, e muitos são os caminhos a serem seguidos para a reversão da doença. Confira:
A obesidade é diagnosticada pelo cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), a partir de um índice maior ou igual a 30kg/m2. Segundo a endocrinologista, Dra. Luciana Lobato, o combate à doença apresenta-se em dois passos.
“O primeiro é a tomada de consciência de que a obesidade é uma doença e que ela traz consigo prejuízos à saúde. A pessoa com obesidade pode estar com todos os exames normais, mas não se pode garantir até quando. Sabemos que a obesidade é o principal fator de risco para o diabetes mellitus, aumenta o risco de desenvolver hipertensão arterial, alterações no colesterol, doenças cardíacas e cânceres. O segundo passo é a procura por orientação médica especializada, que irá diagnosticar o grau de obesidade, identificará outras comorbidades e direcionará o tratamento”, explica ela.
Tratamento
Segundo a nutricionista Carolina Persilva, por ser uma doença crônica, a obesidade precisa ser combatida durante toda a vida, e esse combate deve ser feito através de uma equipe multidisciplinar, com médico, nutricionista, educador físico e psicólogo.
“O apoio de profissionais que ele [individuo obeso] confie é importantíssimo para que ele se sinta motivado e queira dar esse primeiro passo. O trabalho multidisciplinar com uma dieta adequada aliada a boa prática de atividades físicas é imprescindível para o sucesso na perda de peso”, diz ela.
As mudanças na alimentação e os exercícios físicos são à base do tratamento. “Com isso objetiva-se o déficit calórico, ou seja, a pessoa deve chegar ao fim do dia com menos calorias do que ingeriu na alimentação”, pontua a Dra. Luciana.
“Aliados às mudanças na alimentação e ao exercício físico, podemos utilizar medicamentos que atuam de diferentes formas, buscando-se alcançar o déficit calórico. E a indicação do medicamento deve ser individualizada, levando-se em conta o perfil do paciente, as comorbidades e contraindicações”, complementa.
Outras duas opções também podem ser ideais durante o tratamento. A avaliação e acompanhamento psicoterápico – quando são detectados sinais ou sintomas de ansiedade – sendo eficaz tanto para a perda de peso quando para a manutenção da perda; já a cirurgia bariátrica e metabólica é indicada para pessoas com IMC igual ou maior a 35kg/m2 com comorbidades ou com IMC igual ou maior que 40kg/m2 sem comorbidades, que já tentaram tratamento clínico por pelo menos 2 anos e não tiveram sucesso.
Alimentação
Uma alimentação balanceada envolve a redução de refrigerantes e açúcares refinados, enlatados e embutidos tipo calabresa, salsicha, presuntos, salames, por exemplo, com inclusão de verduras, frutas e grãos integrais. O acompanhamento com o nutricionista é fundamental.
“Uma alimentação balanceada é uma alimentação sem radicalismos’, pontua Carolina. A nutricionista ressalta ainda que, nesse caso, nem mesmo aquele tão desejado “docinho” está totalmente banido da dieta que precisa ser “rica em frutas, verduras, legumes, carne, frango, peixes, ovos, sem deixar de lado o arroz, feijão, raízes e tubérculos. Lembrando que exceções podem existir, como o docinho no fim de semana”, conclui a nutricionista.