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A Crítica
Saúde

A importância do sono para o bem-estar físico e mental

Profissional dá dicas de como melhorar a rotina do sono e, consequentemente, a saúde de forma geral

Publicado em 18/03/2024 às 17h04 · Atualizado em 09/04/2024 às 11h50
A importância do sono para o bem-estar físico e mental
Foto: iStock

Celebrado na última sexta-feira (15/03), o Dia Mundial do Sono tem como objetivo não somente promover a importância de dormir bem, mas, principalmente, conscientizar a sociedade sobre os impactos negativos que uma má noite de sono pode trazer à saúde, de maneira geral.

Vale lembrar que, quando dormimos, o nosso organismo exerce as principais funções restauradoras do corpo, como o reparo dos tecidos, o crescimento muscular e a síntese de proteínas. Durante este momento, é possível repor energias e regular o metabolismo, fatores essenciais para manter o corpo saudável. Também é de conhecimento público que escolher o colchão adequado para você, vai ser fundamental para melhorar seu sono.

Esses impactos vão muito além da parte física, afetando, também, a nossa saúde mental. “O sono é um pilar essencial [para a saúde mental], agindo como um mecanismo regulador de diversas funções neurobiológicas cruciais para o nosso bem-estar emocional. A qualidade do sono afeta diretamente nossa capacidade de processar emoções, consolidar memórias e manter o equilíbrio hormonal, influenciando os níveis de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, que são vitais para a regulação do humor”, explicou o psicólogo e doutor em Psicologia José Humberto da Silva Filho.

De acordo com o profissional, a privação do sono pode levar a alterações no processamento emocional, aumentando, assim, a suscetibilidade da pessoa a transtornos como a ansiedade e a depressão. “Assim, a preservação de um sono de qualidade é fundamental para o suporte e manutenção da saúde mental”, completou.

Correlação

José Humberto afirma que existe uma via de mão dupla entre o sono e o bem-estar socioemocional, onde cada um pode influenciar, significativamente, o outro. “Transtornos mentais, como depressão e ansiedade, frequentemente conduzem a distúrbios do sono, incluindo insônia e interrupções do padrão de sono, que, por sua vez, podem agravar os sintomas desses transtornos”, frisou.

Conforme o psicólogo, esse ciclo vicioso destaca a necessidade de abordagens terapêuticas que visem tanto a saúde mental quanto a qualidade do sono. “A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é um exemplo de intervenção baseada em evidências que demonstrou eficácia na melhoria da qualidade do sono e, consequentemente, na redução dos sintomas de condições mentais. A abordagem integrativa é, portanto, essencial para romper esse ciclo e promover um bem-estar geral”.

Rotina

Para combater esses impactos físicos e mentais impostos pela privação do sono, é importante criar uma rotina, baseada em evidências científicas e práticas clínicas recomendadas. É essencial manter um hábito de sono consistente, adotando horários regulares para se deitar e despertar, mesmo nos finais de semana. Isso ajuda a sincronizar o relógio biológico, melhorando, assim, a regularidade do sono.

“É importante, também, otimizar o seu ambiente de sono. Garanta que seu quarto seja confortável para dormir: escuro, silencioso e numa temperatura agradável. Considere o uso de cortinas blackout, tampões de ouvido ou um aparelho de som branco para criar um ambiente propício ao sono”, listou o psicólogo.

Além disso, é fundamental se atentar à ingestão de substâncias de substâncias estimulantes, como a cafeína e o álcool, e administrar preocupações e estresses, por meio de práticas como meditação, escrita ou técnicas de respiração profunda. “Desenvolva uma rotina relaxante antes de dormir para ajudar a separar seu tempo de sono das atividades estressantes ou agitadas do dia. Invista, também, em um colchão e travesseiros confortáveis, com roupas de cama adequadas para a estação. O conforto físico é crucial para um bom descanso”, adicionou José Humberto.

O uso excessivo de dispositivos eletrônicos também surge como fator de risco para a privação do sono, por conta da luz emitida por telas. “Ela [a luz] pode interferir com a produção de melatonina, o hormônio do sono. Portanto, considere um filtro de luz azul ou estabeleça um horário para desligar esses dispositivos antes de dormir”, finalizou.

“A privação ou má qualidade do sono está diretamente ligada ao aumento do risco de desenvolvimento e agravamento de transtornos mentais, incluindo ansiedade, depressão e transtorno do estresse pós-traumático. Neurologicamente, a falta de sono afeta a eficácia da “limpeza” cerebral, um processo essencial para a remoção de toxinas acumuladas no cérebro durante o dia, crucial para a saúde cognitiva e emocional”,