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Saúde

‘Agosto Dourado’: quebrando mitos e incentivando a amamentação

Especialista destaca a importância do acesso a informações precisas

Publicado em 18/08/2024 às 11h10
‘Agosto Dourado’: quebrando mitos e incentivando a amamentação
Foto: Paulo Bindá/A Crítica

A amamentação tem seus benefícios amplamente reconhecidos, sendo o único fator que, isoladamente, pode reduzir em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis. Mas, para algumas mães, essa pode ser uma jornada cheia de desafios. A campanha “Agosto Dourado” destaca a importância do acesso a informações precisas e do apoio contínuo para a resolução de problemas que possam surgir durante esse processo.

“É importante conversar com o obstetra e priorizar no parto o contato pele a pele, fazer um plano de parto pedindo ao médico, deixando escrito e registrado que ela deseja fazer o contato pele a pele, porque esse contato é muito importante para o início mais natural da amamentação. É por meio desse contato que a ‘hora de ouro’ acontece após o parto”, recomendou a enfermeira materno-infantil Maria Alice Santos.

Maria Alice é consultora internacional de amamentação, e explica que a interação mãe-bebê é capaz de liberar hormônios que estimulam a amamentação, fazendo com que muitos bebês procurem o seio e comecem a sugar espontaneamente.

A especialista afirma que um dos principais mitos é que a amamentação vai doer e que é normal machucar o peito. Maria Alice destaca que, em caso de dificuldades com a amamentação, é fundamental procurar apoio em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), voltar à maternidade ou, se possível, contratar um serviço domiciliar de consultores de amamentação.

“Outro mito muito comum é a questão de ter muito ou pouco leite. O colostro, que é o leite do início da amamentação, é em volume pequeno porque acompanha o desenvolvimento do estômago do bebê. Nos três primeiros dias de vida, o estômago do bebê cabe muito pouquinho, uma média de 5 a 7 ml, e as gotinhas que saem do colostro são suficientes para sanar a fome do bebê e também preparar o intestino dele para receber o leite quando estiver mais encorpado”, completou.

A especialista explica que o bebê tem uma grande necessidade de sucção e nem sempre isso significa fome. Porém, muitas mães podem confundir esse comportamento com fome e achar que o leite produzido por elas não é suficiente. 

Doações e bancos de leite

Mas, para aquelas mães que não podem amamentar diretamente, existem alternativas valiosas, como é o caso dos Bancos de Leite da rede pública do Amazonas, que de janeiro a junho deste ano já coletaram 1.568 litros de leite materno, beneficiando 2.317 crianças prematuras, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

Bruna Maia, médica de 29 anos, decidiu ser doadora de leite materno quando seu filho, o pequeno Bento, de 1 mês, tinha apenas quatro dias de vida. Ela conta que, desde a gestação, tinha o desejo de amamentar desde o primeiro momento e manter exclusivamente o aleitamento materno, e isso era uma meta e uma preocupação para ela. O cuidado foi tanto que acabou gerando uma superprodução.

Bruna realiza doações para o Banco de Leite Fezinha Anzoategui, que funciona na Maternidade Balbina Mestrinho, localizada no bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus. Ela afirma que doar é super fácil, a equipe vai à casa dar as instruções, explica como retirar o leite, traz os potes de coleta todos esterilizados e ainda vai recolher.

“Essa é uma parte engrandecedora. Só de imaginar a possibilidade de conseguir doar e salvar a vida de outros bebês já me deixou muito feliz. Eu sou médica e estou afastada por conta da maternidade. Sou religiosa e sempre peço muito a Deus para que Ele me dê a possibilidade de ajudar as pessoas. Senti que isso veio como uma resposta, já que nesse momento eu não poderia estar no hospital ativamente salvando vidas. Fiquei ainda mais feliz porque meu filho tão pequenino e inocente já tem essa oportunidade também de ajudar”, destacou Bruna.

Os bancos são responsáveis pela coleta, processamento e distribuição do leite materno no Estado, atuando em rede com mais 14 postos na capital e no interior.

Como doar?

Para doar, basta entrar em contato com qualquer um dos três bancos de leite do Amazonas e obter todas as orientações: BLH da Maternidade Ana Braga, no (92) 98197-1550; BLH Galileia, na Maternidade Azilda Marreiro, nos números (92) 3643-5523 e 99170-5783; e o BLH Fezinha Anzoategui, na Maternidade Balbina Mestrinho, no número (92) 99339-0130.