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A Crítica
Saúde

Água com gás ganha espaço como alternativa aos refrigerantes

Especialista explica o que ela realmente faz no organismo

Publicado em 22/02/2026 às 16h20
Água com gás ganha espaço como alternativa aos refrigerantes
Foto: Divulgação

Taças elegantes, rodelas de limão e gelo cristalino. Nos restaurantes, nas reuniões entre amigos e até nas rotinas fitness, a água com gás deixou de ser coadjuvante para se tornar protagonista. Associada a um estilo de vida mais saudável e sofisticado, a bebida ganhou status gourmet e passou a ocupar o espaço que antes era dominado por refrigerantes e drinques alcoólicos.

Mas será que ela é, de fato, mais saudável? Para a nutricionista Beatriz Fiúza, é preciso separar tendência de evidência científica. “A água com gás não é ‘mais saudável’ do que a água comum. Ela é basicamente água com adição de gás carbônico. O que aconteceu foi uma mudança de comportamento: muitas pessoas passaram a buscar alternativas mais saudáveis aos refrigerantes e bebidas alcoólicas e a água com gás entrou como uma opção, fazendo parte do estilo de vida de muitas pessoas”, explicou ao VIDA.

Do ponto de vista nutricional, segundo a especialista, praticamente não há diferença entre a versão gaseificada e a tradicional. “A água com gás praticamente não tem diferença nutricional em relação à água sem gás. Ela é basicamente água com adição de gás carbônico. Não tem calorias, não tem açúcar, não tem gordura, não tem proteína. Portanto, do ponto de vista nutricional, são equivalentes”, afirmou.

E quanto à hidratação? Há quem acredite que o gás possa interferir na absorção de nutrientes ou na eficiência do consumo de água. Beatriz esclarece que isso não procede. “O gás não interfere na absorção de vitaminas ou minerais dos alimentos. Ele também não atrapalha a hidratação. O corpo absorve a água da mesma forma, com ou sem gás”.

A diferença, segundo ela, está mais na tolerância digestiva do que na composição. “A única diferença é que o gás pode causar sensação de estufamento, mais arrotos e desconforto em quem tem refluxo ou gastrite. Mas isso é uma questão de tolerância digestiva, não de valor nutricional ou absorção”, pontuou.

Mudança positiva

Ainda assim, a troca da água com gás por bebidas açucaradas ou alcoólicas costuma ser vista como positiva. “Sim, é uma troca muito positiva. Ao substituir refrigerantes, você reduz o consumo de açúcar, corantes e calorias. Ao substituir bebidas alcoólicas, reduz os riscos associados ao álcool”, disse Beatriz.

Ela alerta apenas para a leitura atenta dos rótulos: “Algumas águas gaseificadas saborizadas podem conter sódio ou adoçantes adicionados. O ideal é escolher versões sem adição de açúcar”.

Apesar do apelo estético e da popularização nas redes sociais, não há milagre metabólico nas bolhas. “Não há um benefício metabólico direto, como acelerar o metabolismo ou emagrecer por si só. O principal benefício é comportamental: ela pode ajudar na sensação de saciedade e principalmente na redução do consumo de bebidas açucaradas ou alcoólicas. O ganho está mais na mudança de hábito do que na composição da bebida”.

Segundo a nutricionista, muita gente tem usado a água com gás como base para um “refrigerante saudável”, combinando com frutas naturais como limão, laranja e morango, chá gelado e até ervas como hortelã. “É uma estratégia mais saudável, especialmente para quem quer diminuir o consumo de bebidas açucaradas sem abrir mão da sensação das bolhinhas”, encerrou.