AM avança na prevenção do câncer do colo de útero com 1º centro exclusivo no Brasil para conizações
Os números da doença são altos no país e a expectativa é de queda, no estado, com a perspectiva de realizar, ao ano, 2.420 procedimentos do tipo
O Amazonas deu um passo importante na prevenção do câncer de colo de útero, com a criação da primeira unidade do país exclusiva para a realização de conizações. O Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero do Amazonas (Cepcolu), da rede pública de saúde, aumentou em mais de 300% a capacidade do estado de realização desse procedimento cirúrgico, que remove lesões causadas pelo Papilomavírus Humano (HPV).
O número de casos de câncer de colo de útero, no Brasil, é alto, sendo o terceiro tipo da doença mais comum em mulheres e quarta causa de morte entre elas. No Amazonas, onde é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres, a expectativa, agora, é de uma redução significativa dos casos, com a perspectiva de poder realizar, anualmente, cerca de 2.420 conizações. O procedimento, antes, era oferecido na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) e a capacidade era de 500 cirurgias por ano.
A secretária de Saúde do Amazonas, Nayara Maksoud, ressalta que a criação do Cepcolu faz parte das políticas públicas que vêm sendo implementadas pelo estado para enfrentar o problema. O Amazonas também é pioneiro, disse ela, na oferta de vacinação contra HPV para meninas e meninos de 09 a 14 anos nas escolas, antes mesmo que a ação se tornasse uma política pública do Ministério da Saúde.
“O Cepcolu é mais um investimento grande que o estado faz com foco centralizado na redução dos casos. Trata-se de uma iniciativa pioneira, um centro com tecnologia de alto padrão, atuando em um dos pilares mais importantes da prevenção da doença e com profissionais de excelência. Com certeza, impactará a vida de milhares de mulheres no estado”, reforçou.
O Cepcolu funciona em prédio próprio, mas integrado ao complexo da FCecon. É um hospital-dia, ou seja, com internações de curta permanência, funcionando de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. A estrutura conta com quatro consultórios ginecológicos, quatro salas cirúrgicas e um anfiteatro para cursos e treinamentos.
O diretor da FCecon, mastologista Gerson Mourão, reforça o impacto positivo do Cepcolu na saúde pública do Amazonas. Para o médico oncologista, a expectativa é que daqui há pelo menos dois anos o estado já sinta uma redução significativa no número de casos de câncer de colo de útero, a partir desse conjunto de ações preventivas.
Outro ponto importante destacado por ele é que a entrada em funcionamento do Cepcolu traz reflexos positivos para o sistema de saúde do Amazonas, ajudando a reduzir a ocupação de leitos hospitalares, cirurgias de alta complexidade, radioterapia, quimioterapia e transfusão de sangue. Em resumo, desafogando a demanda na FCecon, melhorando a capacidade de resposta da unidade de saúde e permitindo a ampliação dos atendimentos para outros tipos de câncer também.

(Foto: Divulgação)
Repercussão no Conass
A inauguração do Cepcolu no Amazonas repercutiu no Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília. Para o secretário Executivo do órgão, Jurandi Frutuoso, representa um marco significativo na ampliação do acesso a procedimentos especializados e na articulação de uma rede de atenção oncológica mais eficiente em uma região historicamente marcada por altas taxas de incidência.
“Ao centralizar tecnologia, recursos humanos capacitados e fluxos de referência, a SES-AM reduz o tempo entre o diagnóstico de lesões precursoras e a intervenção, contribuindo para a diminuição de casos e para o fortalecimento das ações de vigilância e cuidado contínuo. Essa iniciativa está alinhada às diretrizes nacionais de controle do câncer, reforçando o compromisso do Amazonas com a equidade regional e a melhoria dos indicadores municipais e estaduais de saúde”, observa.
Causa e prevenção conhecidas
O câncer de colo de útero é o único tumor humano que tem causa e prevenção conhecidas, o que coloca a Medicina à frente da doença, podendo reduzir e até eliminar os casos.
A prevenção do câncer de colo de útero é composta por três pilares. O primeiro, é a vacina contra o HPV, introduzida de forma pioneira na saúde pública do Amazonas desde 2023, antes do fornecimento gratuito pelo Ministério da Saúde. A vacina garante a prevenção contra a infecção pelo vírus HPV antes do início da vida sexual, por isso é considerada a forma mais eficaz de prevenção.
O segundo pilar é o preventivo por citologia em meio líquido. Esse é o método de exame ginecológico que visa à detecção de lesões e inflamações no colo de útero causadas pelo HPV e que podem evoluir para o câncer. A diferença da citologia em meio líquido para o Papanicolau tradicional é o método de processamento, que utiliza tecnologia que permite a análise e identificação de células alteradas. Essa fase da prevenção é essencial, pois ao identificar a infecção pelo HPV e analisar o tipo de inflamação, é possível realizar o procedimento de conização antes que evolua para o câncer.
A conização é o terceiro pilar da prevenção do câncer de colo de útero. Antes do câncer invasor, a mulher pode conviver com as chamadas inflamações pré-cancerosas por 10, 15, 20 anos, sem sentir qualquer tipo de sintoma.
O procedimento é uma pequena cirurgia, que retira em formato de cone a lesão, que pode ser classificada como NIC 1 (Neoplasia Intraepitelial Cervical de grau 1), NIC 2 (Neoplasia Intraepitelial Cervical de grau 2), NIC 3 (Neoplasia Intraepitelial Cervical de grau 3). Quanto maior o grau, mais chance de desenvolvimento do câncer. É nessa fase que antecede a doença de fato e que a conização é indicada e essencial. A mulher chega no CEPCOLU para a conização depois de ter feito preventivo, identificado a alteração, e passado pela colposcopia, que é um procedimento para retirar uma amostra de célula para biópsia. Feito tudo isso e comprovada a lesão pré-cancerosa, é realizada a conização e, posteriormente, o acompanhamento da evolução da paciente.
NÚMEROS
O número de casos de câncer de colo de útero, no Brasil, é alto, sendo o terceiro tipo da doença mais comum em mulheres e quarta causa de morte entre elas. Dados do observatório de Oncologia, levantamento de 2019 a 2023, mostram que os estados do sudeste e nordeste concentram o maior número de óbitos, principalmente São Paulo e Bahia. O Acre, no Norte, tem a maior taxa bruta de mortalidade.
O Amazonas também tem uma das maiores taxas de incidência da doença – 31 casos por 100 mil mulheres. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram uma estimativa anual de 610 novos casos no Amazonas.
Conforme o Inca, comparado com outras regiões do país, a taxa de mortalidade pela doença no Norte é maior, 9,07 óbitos por 100 mil mulheres. Em seguida, aparece o Nordeste, com 5,61 mortes por 100 mil mulheres e o Centro-Oeste, com 4,60 por 100 mil. As regiões Sul e Sudeste tem as menores taxas, 4,47 por 100 mil e 3,27 por 100 mil mulheres, respectivamente.