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A Crítica
Saúde

Amazonas aumentou isolamento social, mas não o suficiente para conter o avanço da Covid-19

As informações foram divulgadas no Atlas ODS Amazonas, que faz o verdadeiro raio-x da doença no Estado

Publicado em 02/01/2021 às 14h53 · Atualizado em 09/03/2022 às 11h54
Amazonas aumentou isolamento social, mas não o suficiente para conter o avanço da Covid-19
Foto: Reprodução / Internet

Apesar da melhora do isolamento social no último trimestre do ano no Amazonas, esse comportamento não foi capaz de evitar uma aceleração de casos de covid-19. Essa é a conclusão do relatório dos pesquisadores do Atlas ODS Amazonas, que vem estudando o comportamento da pandemia do coronavírus no Estado desde o começo.

Segundo os pesquisadores, os últimos três meses do ano de 2020 foram marcados por uma oscilação na velocidade de disseminação da doença na população amazonense.

O aumento de mais de 3.300 casos em outubro, muito provavelmente, decorre da redução de isolamento social observada em setembro, quando foram registrados os menores valores desde o pico do isolamento social em abril.

“Em outubro registrou-se um mínimo de 0,35 em 24h e de média móvel de 7 dias. Em novembro, houve uma redução de mais de 5.800 casos em relação ao mês anterior e foi nesse período que se registraram aumentos significativos de isolamento social com valores máximos de 0,50 em um só dia e de 0,44 de média móvel de 7 dias”, descreve o relatório.

Apesar da melhora do isolamento social em novembro no Amazonas, esse comportamento não foi capaz de evitar uma aceleração de cerca de 2 mil casos de covid-19 a mais em dezembro no Estado.

Ainda que tenha sido registrado uma melhora no isolamento social em novembro, a situação favorável não foi capaz de evitar uma aceleração de cerca de 2.000 casos a mais em dezembro em relação a novembro. Nota-se que, nos últimos dias do ano, houve um aumento substancial no índice de isolamento social quando foi atingindo um valor máximo de 0,57 em 27 de dezembro, um dia de domingo. Caso esse comportamento de maior isolamento social se mantenha, poderá contribuir para uma desaceleração da disseminação do vírus nas primeiras semanas de 2021.

Redução da letalidade

Apesar deste cenário desfavorável, os pesquisadores do Atlas ODS no Amazonas informaram que os números de óbitos têm diminuído em comparação ao número de casos confirmados.

“Se considerarmos a evolução mensal da letalidade expressa como a relação entre o número de óbitos acumulados em relação ao número de casos acumulados, observa-se, na tabela a seguir que a letalidade da doença segue em declínio, tomando-se como exemplo o município de Manaus, onde está o maior número de casos e a maior população do estado. A maior taxa foi observada em abril e desde então vem decaindo continuadamente. Essa tendência se manteve mesmo em períodos de nova aceleração, como foi o caso do mês de outubro cujo número cumulado mensal de novos casos foi inferior apenas ao mês maio (1o. pico da pandemia)”, afirma o Atlas.

Ainda conforme os pesquisadores, a redução da taxa de letalidade pode ser atribuído ao aprendizado médico, ou seja, ao aperfeiçoamento nos protocolos de atendimento aos casos graves e às melhorias no sistema de saúde, como o aumento no número de leitos.

Nova variante

Entretanto, os pesquisadores especulam que o ano de 2021 possa ter uma evolução ainda maior de casos de covid-19. Segundo o relatório, o surgimento de novas variantes da Covid-19 com maior transmissibilidade podem influenciar no crescimento de notificações, ainda que esta variante seja menos letal à população.

“Outros fatores determinantes podem estar relacionados com a própria evolução da doença, ou seja, a seleção natural que age sobre a interação entre a população do vírus, como agente causador e a dos hospedeiros humanos. Esse é o caso, por exemplo, do surgimento de variantes preocupantes do vírus (Variants of Concern – VOC, em inglês) tal qual a recentemente nomeada com a sigla B.1.1.7 que segundo estudo feito na Inglaterra teria entre 40 a 70% de maior transmissibilidade, sem necessariamente ser mais letal que outras linhagens há mais tempo em circulação”, concluiu o relatório.