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A Crítica
Saúde

Amazonas faz estudo pioneiro sobre alcance da vacina

Coordenado pela FMT em parceria com a UEA, pesquisa envolve a imunização contra covid-19 de 5 mil pessoas com comorbidades

Publicado em 28/03/2021 às 13h11 · Atualizado em 09/03/2022 às 09h29
Amazonas faz estudo pioneiro sobre alcance da vacina
Foto: Gilson Mello

O Amazonas já aplicou a primeira dose da vacina contra Covid-19 a mais de 400 mil pessoas residentes no estado, segundo “Vacinômetro” publicado no portal da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) na última quinta-feira (25). O indicador aponta também que mais de 118 mil amazonenses já receberam a segunda dose da vacina contra Covid-19.

O Plano Operacional de Imunização no Amazonas é o mais avançado em todo o território nacional. Grande parte dos profissionais da saúde e idosos acima de 60 anos já foram contemplados com o imunizante.

Para a próxima etapa que prevê a vacinação inicial de três grupos de pessoas com comorbidade (cardiopatas, diabéticos e obesos) em Manaus pode ser um elemento que contribua para a redução dos índices de transmissão do vírus e hospitalizações na capital.

E é esta premissa que norteia o estudo “CovacManaus” coordenado pela Fundação de Medicina Tropical (FMT), em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam) e o Insituto Butantan.

Segundo a médica infectologista da FMT e coordenadora do estudo, Maria Paula Mourão, com o doação de 10 mil doses de Coronavac pelo Butantan, os pesquisadores resolveram priorizar outros grupos que ainda não foram contemplados com a imunização, como profissionais da educação e segurança pública, de 18 a 49 anos, pois segundo a professora, os grupos estão bastante expostos ao vírus.

Parceria

“A Fundação de Medicina Tropical tem uma parceria de longa data com o Instituo Butantan. Já fizemos pelo Butantan uma pesquisa para vacina contra dengue que está em fase final aqui no Amazonas. E partir dessa parceria surgiu a possibilidade do instituto doar 10 mil doses de vacina para que pudesses conduzir uma pesquisa em Manaus. Nossa primeira iniciativa foi buscar grupos profissionais que são altamente expostos ao coronavírus que ainda não haviam sido contemplados com a imunização e com isso chegamos ao grupo dos profissionais da educação e segurança”, descreveu a médica.

Comorbidades

Maria Paula Mourão, que também atua como pró-reitora de pesquisa da UEA, acrescentou que o grupo de pesquisadores decidiu realizar este estudo com profissionais que possuem comorbidades, pois surgiu a necessidade de compreender mais a fundo sobre a resposta do imunizantes nas pessoas desse grupo. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), há aproximadamente 500 mil pessoas com comorbidade na capital amazonense.

Profissionais com comorbidades

Pró-reitora de pesquisa da UEA, Maria Paula Mourão, afirma que o estudo CovacManaus é o primeiro do Brasil a observar e acompanhar pessoas com comorbidade após serem vacinadas. Além de imunizar profissionais da educação e segurança pública com comorbidades, o estudo observa também este mesmos profissionais sem comorbidade que não receberão a vacina, mas serão avaliados durante todos os 12 meses de atividade da pesquisa.

“Pesquisas em grupos com comorbidade não temos conhecimento. Até onde a gente sabe, nós somos o primeiro grupo de estudo acatar esse grupo específico de pessoas com doenças crônicas. É importante que a gente tenha um grupo de profissionais com comorbidade e também um grupo de educadores e profissionais da segurança sem comorbidade que não vão receber a vacina para que possamos acompanhar esses dois grupos ao longo destes 12 meses e verificar a diferença que acontecem um grupo e em outro. Por isso somos uma pesquisa e não simplesmente um posto de vacinação”, conta Mourão

Cinco mil serão imunizados

Do dia 18 de março até a última quarta-feira, 1.114 pessoas já foram imunizadas. A meta do estudo é chegar aos 5 mil até o dia 3 de abril. Segundo a professora, o CovacManaus busca compreender melhor este momento que Manaus passa para poder contribuir com respostas que ajudarão e potencializarão o esquema de vacinação na capital.

“Nossa expectativa é que imunizando 5 mil pessoas a gente possa tirar essas 5 mil pessoas do risco de ocupar um leito de hospital, um leito de UTI ou eventualmente morrer por coronavírus nos próximos meses, anos. Nós sabemos que é um número pequeno se colocarmos em relação a população amazonense. A nossa ideia é que neste momento em que a segunda onda da pandemia comece a desacelerar, na nossa região, que nós possamos concentrar todo o nosso esforço para trazer mais oportunidades de vacinação para população. E responder perguntas que são fundamentais para que nós possamos nos programar em como fazer o enfrentamento da pandemia daqui pra frente”, reforçou a pesquisadora.