Manaus qui, 5 nov
A Crítica
Saúde

Amazonas registrou queda de quase 50% nos casos de sífilis

Em 2022, o estado apresentou 2.416 casos da doença, contra 4.677 do ano anterior

Publicado em 04/03/2023 às 10h38
Amazonas registrou queda de quase 50% nos casos de sífilis
Foto: Rodrigo Santos/SES-AM

O Amazonas apresentou uma considerável diminuição do número de casos de sífilis em 2022, quando houve  2.416 registros da doença, uma redução de 48,3% em comparação com o ano anterior, que teve 4.677 pessoas com a Infecção Sexualmente Transmissíveis (IST). É o que afirma o indicador da sífilis, do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DVIAHV). 

Tal redução é ainda maior na chamada sífilis em gestantes, que caiu 50,7% – sendo registrados 2.081 em 2021 e 1.024 no ano seguinte. De acordo com a doutora Dessana Chehuan, infectologista da Fundação de Medicina Tropical (FMT), ainda que a redução desses números possa significar um dado positivo, existe também a possiblidade de que esses números ainda reflitam uma realidade de um mundo em pandemia, com subnotificações bem como os estigmas que tais infecções carregam. 

“Durante esses anos de pandemia, tivemos muitas pessoas que não procuram a assistência de saúde e com isso tivemos subnotificações. Com o retorno das atividades, a população tem sim procurado mais os serviços de saúde e atendimento médico para se testar. Mas a gente ainda tem uma barreira muito grande com a questão do preconceito, as pessoas ainda têm muito medo de conhecer o seu status sorológico, e isso é em todas as ISTS. Com isso, a procura ainda não é tão satisfatória quanto a gente espera, não podemos considerar alta ainda não”, afirma a infectologista. 

Vale ressaltar que o teste rápido para sífilis é prático, de fácil execução e é ofertado gratuitamente nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado sai em, no máximo, 30 minutos. O principal tratamento é feito com penicilina, também disponível no SUS com prescrição médica e com orientação do profissional da saúde. 

Sintomas 

A doença se manifesta de acordo com o estágio de desenvolvimento. Dessa forma, pode ser classificada entre sífilis primária, sífilis secundária, sífilis terciária e sífilis latente. Na fase primária, entre 10 e 90 dias após o contágio, surgem feridas no pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele. Essa ferida não causa dor, coceira, ardência ou pus e pode estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. A ferida desaparece sozinha, mesmo que não seja tratada. 

Na sífilis secundária, os sinais aparecem entre seis semanas e seis meses após o aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Podem surgir manchas pelo corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Além das manchas, pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. As manchas desaparecem em algumas semanas, mesmo sem tratamento, trazendo falsa impressão de cura. 

A sífilis terciária pode surgir entre um e 40 anos após o início da infecção e costuma apresentar lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas. Nos casos de sífilis latente, a doença é assintomática. Neste cenário, é definida como latente recente (até um ano de infecção) ou latente tardia (mais de um ano de infecção). A duração dessa fase é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária. 

ISTS em MANAUS 

Além dos casos de sífilis, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) informou que entre janeiro e dezembro de 2022, foram registrados foram registrados 7.067 casos de IST’s em Manaus, sendo: 1.267 casos de HIV, 599 casos de Síndrome do corrimento cervical em mulheres; 248 casos de Síndrome do corrimento uretral em homens; 176 casos de infecção gonocócica; 133 casos de Codiloma acuminado (verrugas anogenitais); 45 casos de herpes genital (apenas o primeiro episódio); 39 casos de hepatites virais (B/C), e 28 casos de outras infecções causadas por clamídias transmitidas. 

Números nacionais 

Em 2021, foram registrados no Brasil mais de 167 mil novos casos de sífilis adquirida e 74 mil casos em gestantes. No mesmo ano, outras 27 mil ocorrências de sífilis congênita foram diagnosticadas, além de 192 óbitos por esse tipo de sífilis. Até junho de 2022, já haviam sido constatados 79,5 mil casos de sífilis adquirida, 31 mil registros de sífilis em gestantes e 12 mil ocorrências de sífilis congênita no país, totalizando mais de 122 mil novos casos da doença. 

Possível aumento 

A redução de casos de ISTS entre 2021 e 2022, em consequência da pandemia da Covid-19 pode ser seguida de um aumento considerável no registro de tais infecções, afirma a Drª Dessana Chehuan. Nesse contexto, a volta de eventos como o carnaval – não-realizado completamente durante a pandemia – aparece como um dos fatores a serem considerados. 

“Com o retorno de festas pós-covid, as pessoas tendem a expor mais e consequentemente estão mais próximos de infecções. Então essa volta de festas como o Carnaval podem sim resultar em um aumento de casos”, afirma Dessana Chehuan

Diante deste cenário, a especialista alerta para a necessidade de procura testes de ISTS de maneira periódica. “A gente recomenda que as pessoas se testem pelo menos uma vez ao ano, façam aquela tríade de testagem que é ofertada pelo SUS, que são os testes rápidos para hepatite B/C, HIV e Sífilis. Existem também outros exames que não estão disponíveis no SUS, que fazem parte do painel de ISTS, onde a gente vai ter uma outra gama de agentes etiológicos”, ressalta.