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A Crítica
Saúde

Ameixa seca ganha fama como aliada na prevenção da osteoporose

Fruta desidratada, apelidada de “ouro negro”, é destaque em estudos internacionais que comprovam benefícios para a densidade óssea e saúde do envelhecimento

Publicado em 31/08/2025 às 15h26
Ameixa seca ganha fama como aliada na prevenção da osteoporose

 

Aos poucos, uma fruta discreta vem ganhando status de “superalimento” entre médicos, nutricionistas e pessoas preocupadas com a saúde dos ossos. A ameixa seca, apelidada de “ouro negro”, deixou de ser lembrada apenas pelo efeito laxativo e passou a ocupar espaço em pesquisas científicas internacionais e na rotina alimentar de quem busca prevenir a osteoporose, evitar fraturas e envelhecer com vitalidade. A tendência já se reflete nos hábitos brasileiros, com muita gente guardando potinhos dessa fruta no armário ao lado de castanhas e sementes.


A ameaça silenciosa da osteoporose

A osteoporose é considerada uma das grandes doenças do envelhecimento. Estima-se que mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo sofram com a condição, muitas vezes sem perceber até a ocorrência de uma fratura. O problema atinge especialmente as mulheres após a menopausa, fase em que há queda acentuada na produção de estrogênio, hormônio que protege a densidade óssea.

“Na maioria dos casos, a doença só é diagnosticada após um episódio de queda ou fratura. A densitometria óssea é o exame padrão, mas não é rotina em todos os check-ups”, explica o neuro-ortopedista Luiz Felipe Carvalho.


Sintomas, riscos e prevenção

O ortopedista Fabiano Latrilha explica que “alguns dos sintomas mais comuns são a diminuição da força para segurar e levantar objetos com as mãos, redução da altura corporal, dor nas costas, formigamento nas pernas, dor no pescoço e restrição da mobilidade”. Mas, segundo ele, “na maioria das vezes, a osteoporose é assintomática. Por isso, é essencial que os pacientes que se enquadrem nos critérios de rastreamento já comecem o tratamento antes da primeira fratura”.

O médico lembra ainda que, embora a osteoporose não tenha cura, ela pode ser tratada com medicamentos e hábitos saudáveis. “A musculação pode ajudar no tratamento da osteoporose, pois a atividade física cria tensão nos músculos e ossos, o que contribui para o aumento da densidade óssea e fortalecimento dos ossos”, afirma. Ele acrescenta que “a combinação de boa nutrição e movimento é o que vai fazer diferença de verdade na prevenção da osteoporose”.


O que diz a ciência sobre a ameixa seca

Nos últimos anos, universidades como Penn State e San Diego State, nos Estados Unidos, conduziram estudos que colocaram a fruta no centro da discussão sobre nutrição óssea.

Um ensaio clínico de 12 meses mostrou que mulheres pós-menopausa que consumiram 50 g de ameixas secas por dia (cerca de 5 a 6 unidades) preservaram a densidade mineral na região do quadril e mantiveram a integridade estrutural do osso da perna. Outra pesquisa, liderada pela doutora Shirin Hooshmand, apontou que doses de 100 g diárias (9 a 10 unidades) não apenas impediram a perda óssea, mas promoveram ganho de até 1% ao ano na densidade óssea.

Uma revisão publicada no Journal of Nutrition reforçou os resultados: tanto 50 g quanto 100 g reduziram marcadores inflamatórios associados à perda óssea em mulheres de 55 a 75 anos. Outros estudos destacaram ainda que a fruta favorece o microbioma intestinal, reduz o estresse oxidativo e melhora a absorção de minerais como cálcio, magnésio, potássio e boro — todos fundamentais para ossos mais fortes.

Segundo a endocrinologista Patrícia Schmid, “a ameixa seca é rica em polifenóis, fibras, potássio, magnésio e boro, nutrientes que ajudam a equilibrar o metabolismo ósseo e reduzem a inflamação. É por isso que muitos profissionais passaram a chamá-la de ‘ouro negro’ da fruteira”, conclui.

Além de serem consumidas puras, as ameixas secas podem ser adicionadas a iogurtes, mingaus, vitaminas, saladas ou até usadas em pratos principais.