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A Crítica
Saúde

Conheça as novas terapias que mudam a forma de entender e tratar a obesidade

Revolução metabólica propõe foco em mecanismos hormonais e resultados além da balança

Publicado em 28/03/2026 às 13h58
Conheça as novas terapias que mudam a forma de entender e tratar a obesidade
Foto: Divulgação

A forma de compreender a obesidade está passando por uma transformação significativa. Antes associada quase exclusivamente a hábitos alimentares e sedentarismo, hoje, a condição é reconhecida como uma doença metabólica complexa, influenciada por fatores genéticos, hormonais, comportamentais e ambientais. Essa mudança de perspectiva tem impactado diretamente as estratégias de tratamento e o olhar da medicina sobre o paciente.

De acordo com a endocrinologista Priscila Lago, essa complexidade vai muito além da alimentação. “Ela é considerada complexa porque envolve não apenas fator alimentar, mas também tem relação genética, hormonais, comportamentais, ambientais, sociais e metabólicas”, explicou ao VIDA deste sábado (28).

Ela também chama atenção para outros elementos frequentemente negligenciados, como saúde mental, qualidade do sono e níveis de estresse.

Essa visão é reforçada pela endocrinologista Luciana Lobato, que destaca o papel do cérebro no controle do peso. “Com o aumento do conhecimento sobre o controle cerebral da fome, da saciedade e do gasto energético, pode-se entender que a obesidade não é resultado somente do alto consumo de calorias, mas também da desregulação desses centros de controle”, afirmou.

Dentro desse novo cenário, surgem terapias inovadoras que atuam diretamente nos mecanismos biológicos do organismo. Medicamentos como semaglutida, tirzepatida e outros análogos hormonais passaram a integrar o tratamento da obesidade ao agir no chamado eixo intestino-cérebro, regulando a fome, a saciedade e o metabolismo.

Segundo Priscila, esses fármacos “funcionam ‘imitando’ hormônios intestinais produzidos naturalmente pelo corpo”, enviando sinais de saciedade ao cérebro e reduzindo o apetite. Além disso, eles retardam o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de estômago cheio e diminuindo o impulso alimentar.

Efeito estratégico

O cardiologista Rizzieri Gomes destaca que esses medicamentos atuam em vias hormonais estratégicas. “Eles aumentam a saciedade, reduzem a fome e retardam o esvaziamento gástrico, ajudando no controle do apetite e melhorando parâmetros metabólicos”, explicou.

O especialista ressalta ainda que os efeitos vão além da perda de peso, impactando positivamente o controle da glicose e da insulina.

As terapias são indicadas principalmente para pacientes com obesidade (IMC acima de 30) ou para aqueles com sobrepeso associado a comorbidades, como diabetes, hipertensão, colesterol elevado ou apneia do sono. Nesses casos, o tratamento medicamentoso surge como um aliado importante, especialmente quando mudanças no estilo de vida não são suficientes para alcançar resultados satisfatórios.

Apesar dos avanços, os especialistas são unânimes em afirmar que os medicamentos não substituem hábitos saudáveis. “Medicamento jamais substitui mudança do estilo de vida”, reforçou Priscila.

Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e controle do estresse continuam sendo pilares fundamentais no cuidado com a saúde.

Luciana complementa que a associação entre medicamento e estilo de vida potencializa os resultados e evita efeitos indesejados. “O uso de medicamentos não exclui a necessidade da prática regular de exercícios físicos e da orientação nutricional, pelo contrário, reforçamos o conjunto”.

Estudos

Os resultados observados em estudos científicos têm chamado atenção da comunidade médica. Reduções de peso superiores a 15% – e, em alguns casos, acima de 20% – já foram registradas, além de melhorias importantes em indicadores metabólicos e redução do risco cardiovascular. Para Rizzieri, os benefícios são claros e consistentes: “A perda de peso é bem evidente, mas além disso houve melhora de marcadores metabólicos, como o controle da glicose e da insulina, então são resultados que vieram junto com a utilização desse medicamento”.