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A Crítica
Saúde

Controle da psoríase exige acompanhamento multidisciplinar

Especialistas reforçam a importância de observar os impactos da inflamação nas articulações, na saúde metabólica e no bem-estar emocional.

Publicado em 25/10/2026 às 12h20
Região na nuca de paciente marcada pela psoríase
O tratamento busca não apenas melhorar a aparência da pele, mas também reduzir os sintomas, prevenir complicações e preservar qualidade de vida Foto: Reprodução

A saúde da pele está diretamente ligada ao funcionamento do organismo e pode revelar condições que vão muito além das manifestações visíveis. Em algumas doenças, os efeitos ultrapassam a aparência e interferem na qualidade de vida, no bem-estar emocional e na saúde como um todo. É nesse contexto que a psoríase merece atenção.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, imunomediada e não contagiosa que afeta principalmente a pele, mas pode ter repercussões em diferentes órgãos e sistemas. Embora suas manifestações mais conhecidas sejam as placas avermelhadas e descamativas, a condição também está associada a alterações metabólicas, problemas cardiovasculares e comprometimento das articulações.

Segundo a dermatologista Dra. Suzi Maron, compreender a doença exige olhar para além das lesões cutâneas. “Embora suas manifestações mais visíveis sejam as placas avermelhadas e descamativas na pele e no couro cabeludo, a inflamação associada à doença também está relacionada ao comprometimento das articulações, ao aumento do risco cardiovascular e a alterações metabólicas, como diabetes, hipertensão e dislipidemia”, explica.

A relação entre psoríase e obesidade é outro ponto importante. O tecido adiposo produz substâncias inflamatórias que podem intensificar a inflamação sistêmica e contribuir para o agravamento da doença.

Pacientes com psoríase também apresentam maior frequência de resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipertensão e outras alterações cardiovasculares.

Suzy Maron, médica dermatologista, de perfil sobre fundo vermelho
Médica dermatologista Dra. Suzi Maron orienta sobre os cuidados para quem enfrenta a psoríase. (Foto: Divulgação)
“A obesidade também está associada a maior risco de artrite psoriásica e pode dificultar o controle da doença. Por isso, o acompanhamento do peso, a atividade física e o controle dos fatores metabólicos são fundamentais, sempre associados ao tratamento médico individualizado”, orienta.

Além disso, a doença pode estar associada à artrite psoriásica, que afeta articulações e tendões e provoca sintomas como dor, inchaço e rigidez, especialmente pela manhã. Sem diagnóstico e tratamento precoces, o quadro pode causar danos articulares permanentes. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para identificar possíveis complicações e definir a abordagem mais adequada para cada paciente.

Os tratamentos para psoríase evoluíram significativamente, especialmente com o desenvolvimento de terapias imunobiológicas e medicamentos que atuam diretamente nas vias inflamatórias envolvidas na doença. Essas opções permitem um controle mais expressivo das lesões e, em muitos casos, possibilitam que a pele fique completamente ou quase completamente livre das manifestações.

Embora a psoríase ainda não tenha cura definitiva, ela pode ser controlada. O tratamento busca não apenas melhorar a aparência da pele, mas também reduzir os sintomas, prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.

“O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo dermatologistas, reumatologistas, endocrinologistas, nutricionistas e profissionais de saúde mental, permite um cuidado mais completo. Eu sempre enfatizo muito a importância da mudança de estilo de vida e controle das emoções aliadas ao tratamento convencional, já que todos estes pilares estão interligados. Embora a psoríase ainda não tenha cura definitiva, ela pode ser muito bem controlada. Nosso objetivo não é apenas melhorar a aparência da pele, mas devolver conforto, autoestima, bem-estar emocional e liberdade para que o paciente viva plenamente”, finaliza.