Cuidados com doenças respiratórias
Com a alta dos vírus respiratórios neste período do ano, especialistas alertam para os sinais de agravamento que exigem atendimento imediato e reforçam a importância da vacinação
Com a chegada dos períodos de maior circulação de vírus respiratórios, um sintoma aparentemente simples, como um espirro persistente ou uma tosse leve, pode esconder uma evolução silenciosa. O que começa como um resfriado comum, muitas vezes tratado com descuido, pode avançar para quadros mais graves, como a pneumonia, exigindo atenção redobrada de pacientes e profissionais de saúde.
No Brasil, o cenário acende um alerta. Dados recentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que o país já ultrapassa 89 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, sendo cerca de 49 mil associados a vírus respiratórios. Entre as crianças, o vírus sincicial respiratório (VSR) lidera as internações, enquanto a influenza A predomina entre adolescentes, adultos e idosos — grupos que também concentram maior risco de complicações.
A semelhança entre os sintomas iniciais pode confundir. Febre, mal-estar e tosse são comuns tanto em resfriados quanto em quadros mais graves, o que exige um olhar atento para a evolução da doença. Para o Dr. Luiz Marques, médico pneumologista, é comum pacientes confundirem os sinais de resfriado e evoluir uma pneumonia, sem perceberem.
“É comum que tanto a pneumonia e o resfriado eles compartilhem de sintomas bem parecidos né desde febre mal-estar do corpo tosse mas sempre para eu pensar em uma pneumonia eu sempre penso que o resfriado tem uma doença mais agressiva e algumas vezes um pouco mais prolongada então não é 100% das vezes que isso acontece mas geralmente o que precede uma pneumonia ou seja o que vem antes de uma pneumonia é justamente um resfriado ou uma gripe”, relata.
O ponto de virada, segundo especialistas, está no comportamento dos sintomas ao longo do tempo. Quando o quadro se intensifica, se prolonga ou vem acompanhado de dificuldade para respirar, dor no peito ou cansaço extremo, é sinal de que o organismo pode estar enfrentando algo mais agressivo.
O diagnóstico, por sua vez, exige uma combinação de escuta clínica e tecnologia. Mais do que identificar sintomas, é preciso compreender o que eles revelam. Assim, Dr. Luiz conta os passos certos para um diagnóstico preciso.
“O diagnóstico da pneumonia é feito da seguinte forma: temos uma avaliação clínica ou seja o que o paciente sente, escutamos e também ouvimos o pulmão do paciente, e é muito importante exame de imagem também. É Muito bem preciso então é necessário sim fazer o exame de imagem para saber se tem pneumonia ou não. Lembrando que em idosos e obesos o ideal é tomografia e o raio x já ajuda na maioria das vezes, e a questão do exame laboratorial é muito importante para avaliar se tem alguma leucocitose ou não”, ressalta o médico.

Dr. Luiz Marques, aponta que o diagnostico correto é é necessário para saber do resultado de uma possível pneumonia ou não (Divulgação)
Entre os grupos mais vulneráveis, crianças pequenas e idosos demandam atenção especial. Nos extremos da vida, o corpo responde de forma diferente às infecções, muitas vezes com sinais menos evidentes ou evolução mais rápida.
Para a Dra. Gabriela Piraice, médica pneumologista com especialização infantil, bebês e crianças se tornam um grupo de risco, uma vez que o sistema imunológico ainda está sendo construído.
“Os músculos respiratórios do bebê se cansam mais rápido e o sistema imunológico ainda está imaturo. Já os idosos podem ter apresentações atípicas que atrasam o diagnóstico, além de também terem uma imunidade mais baixa e alguns pacientes já terem problemas pulmonares como DPOC”, pontua.
Diante desse cenário, a prevenção se torna a principal aliada. A vacinação, frequentemente associada apenas à gripe, desempenha um papel essencial na redução de casos graves de pneumonia e suas complicações.

Gabriela Piraice, pneumologista infantil, pontua que a vacina previne quadros mais graves de doenças como derrame pleural (Divulgação)
“Depois que foi instituída a vacinação, caiu-se muito o número de pneumonias, principalmente pneumonia grave, com complicações de síndromes respiratórias. síndrome respiratória aguda grave. É muito importante a vacinação não somente para a pneumonia, mas principalmente para as viroses,” destaca ainda Dr. Luiz Marques.
Mais do que evitar a doença, a imunização protege contra desfechos severos, como internações prolongadas e até a morte. Em um momento de alta circulação viral, reconhecer os sinais de alerta e manter o calendário vacinal atualizado pode ser decisivo, transformando um possível agravamento em um quadro controlado.
Portanto, a mensagem dos especialistas é clara: nem todo resfriado é inofensivo. E, em tempos de aumento de casos, ouvir o próprio corpo pode ser o primeiro passo para evitar complicações maiores, e claro, estar com as vacinas em dia.
“Temos em nosso calendário anual a vacinação da influenza, temos também para grupos específicos a vacinação para o vírus essencial respiratório, vacinação para a pneumonia. Então é importante que se faça essa vacinação pois a vacinação não reduz somente as complicações respiratórias reduz também o número de infarto reduz o número de AVC reduz o número de síndrome respiratória aguda grave. E é isso,a vacinação contra viroses ou até pneumonia ela vai muito além de complicações respiratórias vai também ali salvando de complicações circulatórias tanto da parte do coração quanto da parte cerebral”, pontua.