Cuidando de si e de quem se ama
Nova geração de autocuidado valoriza vínculos, tempo de qualidade e conexão entre pais, filhos e até mesmo pets
A nova geração do autocuidado está revolucionando a forma como encaramos o bem-estar. Mais do que apenas dietas e exercícios, esse conceito se redefine a partir da valorização dos vínculos, do tempo de qualidade e da conexão não só com os filhos, mas também com os pets. Em um movimento crescente, pais e mães estão buscando incluir a família em hábitos mais conscientes, transformando a busca pela saúde em uma experiência coletiva que prioriza o afeto e o propósito.
Conforme a psicóloga infantil Ana Bessa, o vínculo afetivo entre pais e filhos é a base da segurança emocional na infância. “A criança está em pleno desenvolvimento emocional, e ela desenvolve essas emoções através desse vínculo entre pai e filho. Então, quando os cuidadores oferecem um relacionamento mais acolhedor, consistente e afetuoso, eles ajudam as crianças a desenvolver o seu próprio valor e a sua própria imagem, e isso é essencial para o autocuidado”, destacou a especialista ao VIDA.
“Se a gente se sente amado e valorizado desde cedo, nós aprendemos que a gente merece [cuidar de nós mesmos], e as crianças internalizam isso através da observação dos comportamentos dos adultos. Então, se elas observam, dentro da rede familiar, comportamentos reservados para descansar, para cuidar de si e de autocuidado desses pais, elas conseguem estabelecer, também, limites saudáveis e aprender que o autocuidado não é egoísmo, não é algo egocêntrico, mas, sim, uma parte essencial para a vida”, acrescentou.
De acordo com Bessa, os vínculos afetivos saudáveis favorecem a autorregulação emocional. “É um fator preventivo, um fator protetivo de quadros como ansiedade, depressão infantil, quadros psicológicos e psicossomáticos na infância. Então, é um fator protetivo esse vínculo de afeto”, frisou.
A médica pediatra Luanna Cavalcante explica que o conceito de autocuidado evoluiu de algo individual, como higiene e saúde física, para uma prática mais ampla, que inclui bem-estar emocional e relacionamentos saudáveis. “No contexto familiar, isso significa que cuidar de si, também, envolve cultivar vínculos afetivos e investir em tempo de qualidade com os filhos”, ressaltou a especialista.
“A convivência atenta, o diálogo aberto e os momentos de conexão fortalecem os laços, promovem segurança emocional e funcionam como formas de autocuidado mútuo. Em um mundo extremamente acelerado, priorizar esses vínculos se torna essencial para o equilíbrio emocional de pais e filhos”, reforçou.
Tempo de qualidade
O tempo de qualidade passado em família é essencial para a saúde mental e bem-estar das crianças, ainda mais na rotina acelerada em que vivemos: os pais trabalham o dia todo e os filhos têm várias atividades, como escola, esporte e reforço – tudo isso com o aditivo dos aparelhos eletrônicos.
“Não se trata de você estar 24h com o seu filho, dando atenção o tempo todo. Nós, como sociedade, entendemos que, às vezes, não tem como você estar 24h dando 100% da atenção. Porém, quando há esse tempo, que você está 100% presente, não estando dividindo a atenção com o celular ou com o trabalho, isso ajuda a construir a autoestima dessa criança”, destacou Ana Bessa.
Quando nos dedicamos a momentos significativos no convívio familiar, as crianças se sentem seguras e pertencentes – e essa segurança traz um bem-estar e a construção de uma autoestima bem estabelecida. “Também é fator protetivo contra sintomas como irritabilidade excessiva, tristezas e comportamentos agressivos. São pequenas coisas que você pode introduzir no seu dia a dia, que você pode colocar na rotina da sua família, como ler um livro juntos antes de dormir ou sentar na mesa e compartilhar uma coisa boa que aconteceu na sua semana. Essas pequenas coisas têm um impacto profundo no bem-estar emocional das crianças”.
Luanna Cavalcante conta que, hoje, além de promover saúde física e mental, as práticas de autocuidado ajudam a manter uma boa imunidade. Em uma era de muitas doenças, é fundamental estar com a imunidade estabelecida.
Conforme a médica pediatra, alguns hábitos de autocuidado incluem: rotina estruturada, com horários fixos para sono, refeições e estudo; alimentação saudável em família, responsável por reforçar vínculos e bons hábitos; conversas diárias com atenção e sem distrações; atividades físicas ao ar livre, brincadeiras e passeios; momentos sem tela; e demonstrações de afeto e momentos de carinho.
“E o fundamental, papais, cuidem de si próprios. Estando bem é possível deixar o ambiente equilibrado e prazeroso. Todas essas práticas parecem simples, mas têm efeito poderoso em nossas vidas, e lembrando que somos reflexo e exemplo. Nossos filhos merecem nossa melhor versão. Vamos criar memórias e eternizar a vida dos nossos pequenos”, concluiu.
Pets
Os pets também desempenham papel fundamental na dinâmica familiar, pois proporcionam senso de responsabilidade e cuidado. “O animal de estimação possibilita à criança, nesse ambiente familiar, aprender no cuidado desse animalzinho, ter responsabilidade. Colocar a ração todos os dias, limpar o espaço onde o pet faz suas necessidades, levar para passear. Então, esse animal proporciona a construção dessa responsabilidade do cuidado com o outro”, afirmou Bessa.
Além disso, cuidar de um animal ajuda a criança a criar uma rotina e um senso de comprometimento. “Estudos comprovam, cada vez mais, que o animal promove relaxamento, reduz os níveis de estresse e estimula a produção de hormônios ligados ao bem-estar, como a ocitocina. Além da questão da responsabilidade, ele também funciona como um fator de relaxamento de diminuição não só para criança mas também para os adultos”, completou a psicóloga.