Manaus qui, 5 nov
A Crítica
Saúde

Do hospital à casa: por que descentralizar é humanizar o cuidado em saúde?

Como o diagnóstico precoce e o acesso ao cuidado podem transformar o rumo da saúde e doenças crônicas

Publicado em 08/10/2025 às 12h53 · Atualizado em 08/10/2025 às 21h17
Do hospital à casa: por que descentralizar é humanizar o cuidado em saúde?

“Descentralizar o cuidado não é somente reorganizar serviços e aproximar o cuidado das pessoas, é sobre qualidade de vida”. A fala vem de quem, na pele, experienciou a complexidade de uma doença crônica – e seu tratamento. Diagnosticada apenas aos 23 anos com fibrose cística, quando Verônica Stasiak fala sobre descentralizar o cuidado, ela fala também de si. transformou sua experiência como paciente em missão de vida. À frente da ONG Unidos pela Vida, Verônica atua há mais de uma década para que pessoas com doenças raras tenham acesso a diagnósticos precoces e tratamento próximo de casa. 

No Roche Press Day, evento que reuniu lideranças de saúde de toda a América Latina, a brasileira abriu a discussão sobre um novo modelo de atenção, mais humano, acessível e conectado.

“Quando falamos em descentralização do cuidado, não estamos tratando apenas do benefício para o paciente e sua família. Estamos falando também de uma redução da sobrecarga no sistema de saúde. A mesma pessoa que antes precisaria passar horas em um centro de infusão ou em um ambiente hospitalar, hoje pode ser atendida por teleconsulta ou com o apoio de um tratamento domiciliar”, pontua a acadêmica e consultora em saúde.

Ela explicou que avanços como teleconsultas, monitoramento remoto e terapias domiciliares – impulsionados durante a pandemia – provaram que a tecnologia pode ser uma ponte entre médicos, pacientes e comunidades. Para ela, o desafio agora é estruturar essa transformação de forma sustentável.

“Para que essa transição de cuidado seja efetiva, é fundamental que haja processos bem estabelecidos e fluxos adequados. Também precisamos pensar em dados e tecnologia. Tudo isso contribui para expandir o acesso de maneira coordenada. Além disso, infraestrutura e financiamento são pilares indispensáveis”, adiciona.

Verônica defende que dados integrados e educação em saúde são pilares para que a descentralização funcione de verdade. Estados como Minas Gerais já colhem resultados positivos com modelos de transição de cuidado, mostrando que o investimento retorna em economia e bem-estar.

“Descentralizar o cuidado é uma iniciativa que eleva a qualidade de vida de todos os envolvidos: de quem paga, de quem recebe e de quem oferece o cuidado. É sobre diagnósticos mais rápidos, maior adesão ao tratamento e uma experiência muito mais humana. Afinal, para um paciente, poder receber um medicamento de forma mais simples e próxima tem um impacto enorme na sua rotina e no resultado do tratamento”.

Entre experiências e vozes de diferentes países, a fala de Verônica Stasiak ressoou como síntese do encontro: descentralizar é aproximar o cuidado da vida cotidiana, tirando a saúde dos grandes centros e devolvendo autonomia às pessoas.

“Descentralizar o cuidado não é sobre tecnologia, é sobre pessoas”.

O Jornal A Crítica acompanha o evento RPD LAtam, diretamente do México, a convite da Roche.