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A Crítica
Saúde

Em Manaus, cientista pede ‘lockdown’ e parlamentares querem flexibilização

Pesquisador Lucas Ferrante, do Inpa, que alertou sobre a segunda onda, avalia que a capital pode sofrer uma terceira onda em março

Publicado em 09/02/2021 às 19h49 · Atualizado em 09/03/2022 às 09h58
Em Manaus, cientista pede ‘lockdown’ e parlamentares querem flexibilização
Foto: Lucas Silva

Enquanto o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante defende a adoção de um lockdown extensivo de um mês e vacinação de pelo menos de 70% da população do Amazonas para conter uma provável terceira onda de covid-19 no Estado, políticos começam a falar de retomada gradual do comércio.

Ferrante foi convidado pelo deputado estadual Álvaro Campelo (Progressistas) para explicar na sessão híbrida da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), desta terça-feira (9), um modelo epidemiológico de um grupo multidisciplinar composto por sete pesquisadores, que inclusive previu a segunda onda de infecções no Amazonas.

Segundo Lucas Ferrante, a segunda onda de infecções ocorreu por causa da antiga cepa que já circulava no Amazonas, e não pela nova variante denominada P1. Para ele, houve uma “negligência na tomada de decisão” que colaborou para o novo pico.

“”Esse número (de infecções) responsável é justamente por perda de imunidade por parte da população que teve contato com o coronavírus e também de muitas pessoas que poderiam estar sendo expostas”, disse.

O pesquisador aponta que o grupo multidisciplinar concluiu que a variante P.1, mais transmissível, surgiu no final de novembro, e que no início de dezembro, o Amazonas já está entrando na segunda onda. “Essa nova linhagem surgiu exatamente, por maior circulação do vírus no estado, ganhando predominância apenas no meio de janeiro, como corroboram os dados da Fiocruz”, analisou.

Ele chama atenção para o fato de que até março a variante de covid-19 P.1 será “predominante” em número de infecções. De acordo com o modelo apresentado pelo pesquisador, quem teve contato com a primeira linhagem do coronavírus, responsável pelo primeiro pico, “não tem resistência contra a P.1”.

“Prevemos que deve ocorrer uma terceira onda a partir de março onde o distanciamento dessa terceira onda vai depender da quantidade de isolamento social que é empregada no Estado do Amazonas agora”, alerta.

Conforme o doutorando do Inpa, caso a pandemia não seja contida em curto espaço de tempo, a P.1, variante duas vezes mais transmissível surgida no Amazonas, vai colecionar novas mutações, podendo ser resistente às “vacinas de mercado”.

Mesmo com controle de uma possível terceira onda, ele pondera que as taxas de mortalidade e internações devem permanecer o “dobro” do observado no ano passado e sugere que na vacinação amazonense sejam usadas vacinas de aplicação única para acelerar a imunização.

“Recomendamos um lockdown de vinte dias ou um mês onde precisa se restringir a circulação de 90% da população de Manaus. Concomitantemente, com uma ação massiva de vacinação que deve cumprir pelo menos 70% da população nos próximos três meses”, ressaltou.

Retomada

Na mesma sessão, a deputada Alessandra (MDB), disse que levando em conta a recente queda da taxa de transmissibilidade deve-se começar a pensar numa “reabertura gradual” do comércio.

Alessandra afirmou que apesar de ainda existir fila para leitos na rede pública e particular de saúde, vai entrar em contato com o comitê gestor de crise para saber se “dentro da perspetiva das próximas semanas está o início da abertura de algumas atividades”.

Ela defendeu que a reabertura seja segura sem aglomeração na “Marechal Deodoro com 10 mil pessoas circulando a cada hora”.

Na mesma esteira, o vereador Rodrigo Guedes (PSC) realizou um pedido de audiência pública para propor medidas para a manutenção das atividades empresariais na cidade de Manaus junto aos comerciantes e entidades do setor privado.

Na sessão de hoje da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Rodrigo Guedes ressaltou que as medidas de restrição aos setores comerciais, de âmbito municipal e estadual, em razão do coronavírus, têm afetado vários segmentos do setor privado e que, por conta disso, há a necessidade de uma discussão com os empreendedores.