Epstein Barr: conheça o vírus responsável pela ‘doença do beijo’
Especialista explica possível relação entre esclerose múltipla e doença que acometeu a cantora Anitta
A cantora Anitta foi recentemente diagnosticada com o Epstein-Barr, vírus responsável pela “Doença do Beijo”. Mesmo após a artista ter falado abertamente sobre seu diagnóstico em um documentário, dúvidas ainda cercam o tema. Afinal, o que de fato é a doença? Ela é transmitida apenas pelo beijo? Somente adultos são infectados? Qual a relação entre Epstein-Barr Vírus (EBV) e esclerose múltipla? O infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Cidade de S. Paulo – Unicid Alexandre Piva esclarece o assunto.
De acordo com o infectologista, a “Doença do Beijo” trata-se da Mononucleose Infecciosa que é a principal apresentação clínica do vírus Epstein-Barr (EBV). “O EBV é um herpes-vírus que infecta cerca de 50% das crianças antes dos cinco anos e mais de 90% dos adultos. Esta infecção costuma ser assintomática”, diz ele.
Transmissão
O médico ressalta que existem ainda outras formas de transmissão além do beijo. “[É] chamada de doença do beijo, pois majoritariamente é transmitida por contato direto da saliva contaminada ou objetos dessa pessoa, embora possa ocorrer na transfusão de sangue e contato sexual”, explica o Dr. Alexandre.
Segundo ele, a transmissão na infância ocorre com mais frequência entre grupos com baixo nível socioeconômico e em condições de aglomerações. Questionado sobre qual a faixa etária mais atingida, o infectologista salienta que são considerados dois grupos. “As crianças como mencionado acima e jovens entre 15 e 24 anos”.
Sintomas e tratamentos
Quanto aos sintomas, conforme esclarece o médico, a maior parte dos pacientes cursa com a tríade: febre (normalmente alta com pico a tarde ou à noite); faringoamigdalite (inflamação e dor na garganta); adenopatia (gânglios aumentados no pescoço). “Normalmente cursa também com fadiga, cefaléia, mal estar, esplenomegalia (baço aumentado), linfócitos atípicos e linfocitose”, comenta Piva.
Apesar de não haver um tratamento específico, há algumas alternativas. “Como o baço pode estar aumentado sugerimos repouso para evitar rotura do mesmo. Quando necessário utilizamos medicação somente para aliviar os sintomas”, ressalta o infectologista.
Esclerose Múltipla
De acordo com o Dr. Alexandre Piva, “a esclerose múltipla é uma doença neurológica desmielinizante, por ativação autoimune crônica, provavelmente na vigência de uma virose latente (EBV?), por mecanismos inflamatórios e degenerativos que comprometem a bainha de mielina que revestem os neurônios”. Mas qual seria a relação entre ambas as doenças?
“Há décadas se investiga a possível relação entre Epstein-Barr Vírus (EBV) e Esclerose Múltipla, porém é difícil provar esta causalidade, pois o EBV é muito prevalente e a Esclerose Múltipla muito rara”, destaca o professor.
O Dr. Alexandre ressalta que “um estudo científico publicado na Revista Science por uma equipe da Universidade de Harvard analisou 10 milhões de militares do exército americano durante 20 anos, pois os soldados colhem sangue a cada 2 anos, destes, 955 foram diagnosticados com Esclerose Múltipla”. “Se apurou que indivíduos que nunca foram contaminados pelo EBV não desenvolveram Esclerose Múltipla e que as pessoas contaminadas pelo Epstein-Barr tiveram risco 32 vezes maior de desenvolver doença neurodegenerativa”, conclui o infectologista.