Especialista dá dicas para quebrar ciclo da vida acelerada e exaustão
Cansaço persistente tem origem bem definida: noites mal dormidas, rotinas irregulares e um cérebro incapaz de desligar
Sentir-se constantemente cansado deixou de ser exceção: virou o estado padrão de muita gente. Num mundo que nunca desacelera – de telas que piscam até tarde ao excesso de demandas -, o corpo e a mente operam no limite. A exaustão, antes associada a períodos específicos de estresse, agora se espalha como marca registrada da vida moderna. E, segundo especialista, esse cansaço persistente tem origem bem definida: noites mal dormidas, rotinas irregulares e um cérebro incapaz de desligar.
A fisioterapeuta do sono Luciane Zuffo explica que a fadiga constante costuma ser um sinal claro de descanso insuficiente. Pequenos hábitos do dia a dia, aparentemente inofensivos, sabotam o repouso. “Os principais erros e mais comuns que as pessoas cometem são horários irregulares para dormir e acordar, ingestão de cafeína no horário da tarde ou à noite e praticar atividade física muito próximo do horário de dormir. Tudo isso acelera o organismo”, afirmou ao VIDA deste sábado (22).
O uso de telas, principalmente no quarto, completa o cenário: “Levar o celular para a cama é extremamente prejudicial para o sono”.
Diferenciar um cansaço comum da exaustão crônica também é essencial. Luciane explica que o cansaço normal melhora com uma boa noite de sono. Já a exaustão persistente não dá trégua – mesmo após dormir bem. “A pessoa se sente indisposta, com queda na produtividade, alterações de humor, irritabilidade e lapsos de memória. Se ela pratica atividade física, faz higiene do sono e mesmo assim continua exausta, está na hora de buscar ajuda profissional”.
Saúde mental
A privação de sono impacta diretamente a saúde mental. Durante as fases profundas do repouso, o cérebro regula emoções e elimina toxinas acumuladas ao longo do dia. Sem esse processo, tudo desanda. “A pessoa acorda extremamente irritada, impaciente, com mais propensão à ansiedade e à depressão. Quando não se tem qualidade de sono, não se atingem as fases necessárias para a regulação emocional”, ressaltou a especialista.
Para quem vive em alerta permanente – um fenômeno cada vez mais comum no Brasil -, criar rituais noturnos pode fazer diferença. Luciane recomenda práticas simples: manter horários regulares, evitar telas uma hora antes de dormir, reduzir a luminosidade, apostar em técnicas de relaxamento e preparar o quarto para o descanso.
“Evitar estímulos, criar um ambiente agradável e usar práticas como respiração ou leitura calma ajudam o corpo a entender que está na hora de dormir”.
Segundo ela, o ritmo acelerado das cidades e a ideia de que “dormir é perda de tempo” têm alterado profundamente o padrão de sono da população. As consequências aparecem no consultório: hipertensão, arritmias, ganho de peso, problemas cognitivos e desgaste emocional. “Vejo diariamente pacientes destruídos, cansados, exaustos, com péssima qualidade de sono e de vida”, relatou.
Para quem já sente que está no limite, a orientação é começar pelo básico: respeitar o próprio corpo. Dormir entre sete e nove horas, ajustar o ambiente, evitar telas e buscar pausas reais ao longo do dia. E, se a fadiga persistir, investigar possíveis distúrbios do sono. “É extremamente importante que as pessoas valorizem o sono como um pilar da saúde. Se você quer ter saúde, durma bem, se alimente e pratique atividade física”.
O alerta final de Luciane resume o impacto do problema: “Dormir é tão importante quanto se alimentar. Se não tivermos um sono de qualidade e a quantidade de horas adequadas, as consequências são devastadoras para a saúde”, concluiu.