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A Crítica
Saúde

Especialistas alertam para alto consumo de açúcar

Excesso de açúcar ameaça a saúde e os “açúcares ocultos” presentes em alimentos industrializados ampliam o risco de doenças silenciosas. Confira:

Publicado em 18/10/2025 às 20h54
Especialistas alertam para alto consumo de açúcar
Foto: Divulgação

O sabor doce está em quase tudo — e nem sempre é fácil percebê-lo. De bolos e sobremesas às bebidas industrializadas e molhos prontos, o açúcar se infiltra em grande parte dos alimentos consumidos diariamente, muitas vezes disfarçado sob outros nomes. O problema é que, quanto mais ele se torna parte da rotina, mais silencioso se torna seu impacto sobre o corpo.

Estudos recentes apontam que o consumo exagerado de açúcar não está apenas ligado ao aumento de peso, mas também a uma série de problemas que comprometem o bem-estar físico e mental. O excesso de glicose no sangue sobrecarrega o metabolismo, afeta o sono, reduz a concentração e pode abrir caminho para doenças crônicas como o diabetes tipo 2 e as cardiovasculares.


Alto consumo de açúcar está ligado à obesidade, diabetes, além de outros problemas de saúde (Divulgação)

 

Os perigos invisíveis do açúcar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que, no máximo, 10% das calorias diárias venham do açúcar — o equivalente a cerca de 50 gramas, ou 12 colheres de chá. O ideal, porém, é reduzir esse valor pela metade. Segundo a nutricionista Gisele Rocha, o problema é que a maioria das pessoas consome muito mais do que isso, sem perceber.

“O açúcar está escondido em alimentos que não associamos ao sabor doce — como pães, molhos prontos, iogurtes e até embutidos. Esse consumo constante pode gerar picos de glicemia, causando fadiga, irritabilidade e contribuindo para a resistência à insulina, um precursor do diabetes tipo 2”, explica a especialista.

Ela acrescenta que os chamados “açúcares ocultos” são os maiores vilões da dieta moderna. Aparecem disfarçados sob rótulos como glicose, maltose, dextrose, frutose, xarope de milho ou melado. A leitura atenta dos rótulos é o primeiro passo para reduzir o consumo inadvertido.

Impactos além da balança

O excesso de açúcar também tem efeito direto sobre o cérebro e o comportamento. Pesquisas publicadas na revista Appetite apontam que dietas ricas em açúcares simples estão associadas à queda de concentração, lapsos de memória e maior irritabilidade, especialmente entre crianças e adolescentes.

“O açúcar em excesso afeta o desempenho cognitivo e o comportamento. As flutuações rápidas na glicose provocam cansaço e dificuldade de foco, prejudicando o rendimento escolar e o equilíbrio emocional”, observa Gisele Rocha.

Além dos efeitos imediatos, o consumo contínuo estimula o sistema de recompensa cerebral — o mesmo mecanismo ativado por outras substâncias de prazer rápido —, favorecendo o ciclo de compulsão alimentar. A longo prazo, isso pode levar à obesidade e ao aumento do risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.


Especialistas recomendam reduzir o consumo de açúcar (Divulgação)

 

Doce demais para o corpo lidar

A nutricionista Tatiane Schallitz, do Instituto Nutrindo Ideais, lembra que o controle do açúcar é essencial não apenas para diabéticos, mas para toda a população.

“Evitar alimentos com açúcares adicionados e optar por versões naturais é uma estratégia de prevenção. Muitos produtos industrializados contêm grandes quantidades de açúcares ocultos, mesmo quando não parecem doces”, alerta.

Segundo ela, adoçantes artificiais podem ser usados como alternativa, desde que com moderação e acompanhamento profissional. “Eles são projetados para fornecer doçura sem elevar a glicose no sangue, mas o ideal é reeducar o paladar e diminuir gradativamente a necessidade de sabor doce”, afirma.

Tatiane reforça ainda a importância de uma alimentação baseada em frutas, vegetais, proteínas magras e cereais integrais, além da prática regular de atividades físicas e do sono adequado. “O equilíbrio é o verdadeiro segredo para manter o corpo saudável e a mente em harmonia”, conclui.