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A Crítica
Saúde

Exercício físico no pós-parto: pode ou não?

O ginecologista e obstetra, Dr. Leonardo Gobira e o personal trainer Rodrigo Lopes esclarecem as dúvidas sobre o tema

Publicado em 13/05/2023 às 17h49
Exercício físico no pós-parto: pode ou não?
Foto: Divulgação

O momento de retomada dos exercícios físicos no pós-parto pode despertar muitas dúvidas na puérpera – mulher que acabou de ter bebê –, como o tempo de espera ideal para o retorno da prática, bem como quais os exercícios indicados nesse período, além dos cuidados necessários e até se é possível praticá-los com o neném. De acordo com o ginecologista e obstetra, Dr. Leonardo Gobira, tudo depende da via de parto, ou seja, é preciso levar em consideração que a mãe pode ter tido esse bebê de parto normal ou de cesariana.

Parto normal

Segundo o Dr. Leonardo, para retomar a prática de exercícios físicos é necessário observar algumas alterações no pós-parto normal. “Como a contração do útero, que pode levar a cólicas; o próprio processo de atenção ao bebê e da amamentação, que requer muito tempo da mulher; a mulher também pode tá um pouco mais cansada, principalmente naqueles primeiros dias depois do parto normal, que demanda muito gasto energético”.

O profissional destaca que para aquelas mulheres que porventura tenham o desejo de iniciar uma atividade física é importante a liberação por parte do obstetra. A recomendação é retornar ao consultório cerca de uma semana após o parto. “Para avaliar se a paciente tá com anemia, avaliar a cicatrização de lesões que podem ter aparecido na vagina, na vulva e que podem acarretar algum processo inflamatório ou mesmo infeccioso. Avaliar se tá amamentando direitinho, se tá dormindo bem…”, destaca o médico. 

Parto cesárea 

Já a cesariana é uma cirurgia de extração do concepto, portanto, a restrição é maior. “Nos casos de cesariana a gente orienta um tempo maior de repouso e de recuperação, porque é uma cirurgia, abre sete camadas, abre a barriga. A incidência e prevalência de complicações relacionadas ao ato cirúrgico pode acarretar uma dificuldade maior na recuperação dessa puérpera. Então a gente tem que ficar de olho, né? [Pois há] risco de sangramento, risco de atonia uterina, hemorragia e infecção”, alerta.

Como dito, o momento certo para saber quando pode ser liberada para fazer atividades físicas vai depender da via de parto. “Se foi parto normal, a partir do momento que o obstetra reavalia a paciente, com uma semana ele já pode orientar a atividades que não demandem muito tempo, porque ela tem que tá dando atenção pro bebê, né? E a partir de 20 dias voltar a atividades que ela já tava costumeiramente fazendo. Mas ainda de baixo impacto. E aí a gente orienta hidroginástica, principalmente natação e caminhada. Musculação esperar um pouquinho mais, pelo menos aí a partir de 30 dias no parto normal e nem pensar antes de 45 dias no caso de cesariana”, esclarece o Dr. Gobira. 

Diástase abdominal

O personal trainer e coordenador da New Fit Sumaúma, Rodrigo Lopes, explica que de forma geral não existem muitas diferenças nos exercícios para mamães e não mães, pois depois de cicatrizada a mulher pode voltar a sua rotina normalmente. 

“Porém é comum que dependendo de fatores como tamanho da barriga e também o quanto o músculo abdominal já era fortalecido antes do parto, que haja em grande parte das mulheres a diástase, que é o afastamento dos músculos abdominais, gerando um espaço que incomoda e deixa um resquício de pele muitas vezes modificando o formato da barriga”, diz ele. 

“Para essa condição não são os exercícios tradicionais que irão resolver, e sim exercícios respiratórios conhecidos como hipopressivos que irão trabalhar a musculatura interna do abdome (transverso do abdome) de forma bem específica ajudando na recuperação desse músculo e da forma”, complementa.

Mãe e filho

E será que o bebê pode ajudar a mamãe nessa missão da prática de exercícios físicos? “Apesar de incomum (risos) é possível sim se exercitar com o bebê, pois a medida que ele cresce acaba se tornando uma sobrecarga externa para a mamãe e acaba fazendo a função de um halteres ou anilha (risos). Brincadeiras a parte, quando a criança atingir uma idade que tenha certa consciência e saiba obedecer comandos é super possível que treinem juntos mãe e filho(a), além de todos os benefícios físicos que ambos irão aproveitar o principal sem dúvidas será o fortalecimento do laço afetivo existente que trabalhará fatores como confiança, respeito mútuo e lógico aumentará o elo entre mãe e filho(a)”, conclui o especialista em musculação e fisiologia do exercício.