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A Crítica
Saúde

Fisioterapeutas no Amazonas: contribuições e crescimento da profissão em terras barés

A CRÍTICA ouviu diversos profissionais da área, que destacaram os avanços, desafios e perspectivas futuras da categoria no Amazonas

Publicado em 15/10/2023 às 12h51
Fisioterapeutas no Amazonas: contribuições e crescimento da profissão em terras barés
Foto: Márcio Silva/A CRÍTICA

Eles são altamente treinados e especializados no movimento do corpo. Com um trabalho dedicado possibilitam, por exemplo, que aquele paciente que não conseguia nem mesmo sair da cama, consiga voltar a realizar novamente suas ‘acrobacias de menino’.

No dia 13 de outubro, o Brasil celebra o Dia do Fisioterapeuta, que neste ano comemora 54 anos de regulamentação da profissão no país. A reportagem de A CRÍTICA ouviu diversos destes profissionais, que destacaram os avanços, desafios e perspectivas futuras da categoria no Amazonas. Afinal, “quem nunca precisou recorrer a uma consulta e a sessões de reabilitação com algum fisioterapeuta?”, questionou Marcos Giovanni, fisioterapeuta e doutorando em Ciências da Reabilitação.

Dor na coluna que afeta as atividades diárias, alteração postural, movimento perdido após uma doença neurológica, nascimento prematuro de um bebê, limitação de movimentos, alterações de equilíbrio e coordenação motora, ou até mesmo as alterações cardiorrespiratórias geradas pela COVID-19. Essas algumas condições de saúde citadas por Giovanni que acabam levando os pacientes a recorrerem a uma consulta com um fisioterapeuta.


Da esquerda para a direita: Alex Kimura; Alessandra Ferreira; Marcos Giovanni e Karina Piovan

Crescimento da Fisioterapia no Amazonas

Para a fisioterapeuta Karina Piovan, especialista em terapia intensiva, o crescimento da fisioterapia no Amazonas nos últimos 20 anos foi exponencial. Ela destaca que, na saúde pública, houve a criação de muitos postos de trabalho e a valorização do profissional na linha de frente hospitalar como importante membro da equipe multidisciplinar.

“No setor privado de clínicas vimos a inserção no mercado do fisioterapeuta com alta capacidade técnica e de raciocínio clínico na condução da reabilitação nas mais diversas áreas. O paciente hoje confia e busca o profissional fisioterapeuta como uma referência para sua qualidade de vida”, disse.

Já Alessandra Alves, fisioterapeuta da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) e especialista em fisioterapia neurofuncional adulto, acredita que a inserção de mais profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS), que era a via mais necessitada e até então, a mais carente desse tipo de assistência, foi a maior melhoria que se teve nos últimos anos.

“Na unidade ambulatorial em que atuo, o serviço de Fisioterapia em Oncologia possui os melhores equipamentos para uma assistência completa, seja no pré-operatório, no âmbito hospitalar/internação e ambulatorial. Mas, ainda assim, a lista de espera para algumas especialidades são extensas, temos poucos recursos humanos e temos especialidades com poucos centros de reabilitação específica”, destacou Alessandra. 

Para ela, algumas áreas da fisioterapia ainda são carentes de melhorias, como centros de reabilitação neurológica (adulta e infantil), com estimulação precoce, centros de apoio à saúde da mulher e à saúde do homem, segundo a fisioterapeuta, ainda são áreas que precisam ter um maior destaque no nosso estado.

O professor doutor da Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Tiótrefis Fernandes, fez uma avaliação da categoria a nível nacional, e afirma que ainda há um caminho a se percorrer na busca de maior qualidade e atualização de profissionais fisioterapeutas que estão no mercado de trabalho.

“Temos sido bem servidos de profissionais fisioterapeutas, e, por vezes, podemos ter excesso em algumas áreas. Talvez a escassez de profissionais ocorra mais em áreas que exigem maior especialização, sobretudo de cursos não oferecidos ainda no estado. Já avançamos na interiorização da profissão no Amazonas, mas ainda temos o desafio de interiorizar as diversas especialidades mais concentradas em Manaus, assim como ocorre com as outras profissões da saúde”, disse o professor.

Desafios e oportunidades

A carência de profissionais fisioterapeutas em algumas áreas especializadas também é destacada pelo fisioterapeuta e mestre em Ciências da Saúde, Jerônimo Correia. Ele cita a área de dor orofacial, que tem poucos profissionais habilitados, porém, segundo ele, não chega à escassez em razão do mercado de procura ainda ser restrito pela falta de conhecimento das pessoas em relação às especialidades da fisioterapia.

Mas para o fisioterapeuta Alex Kimura, pós-graduado em Acupuntura, Ortopedia e Traumatologia, o maior desafio da profissão hoje está na valorização do profissional. Ele afirma que mesmo após a pandemia, onde a categoria mostrou sua importância, ainda assim, é preciso cada vez mais mostrar o valor deste profissional junto à sociedade.

“O fisioterapeuta sempre buscou tecnologias para melhor atender e tratar os pacientes. O objetivo principal dessa interação multidisciplinar é permitir uma visão mais abrangente e personalizada do paciente, levando em conta as diferentes dimensões que afetam a sua saúde”, destacou.

Então, deu pra perceber que a atuação dos fisioterapeutas é essencial no campo da saúde, não é mesmo? Esses profissionais desempenham um papel fundamental no tratamento de uma ampla variedade de condições médicas. Com a combinação de técnicas manuais, exercícios terapêuticos e equipamentos especializados, eles ajudam pacientes na recuperação, prevenção ou até mesmo no alívio de uma dor ou condição quando não há a possibilidade de cura.