Manaus ter, 20 out
A Crítica
Saúde

Gaslighting: o que é, como identificar e o que fazer?

Prática é considerada tortura psicológica e consiste em ataques verbais sutis

Publicado em 04/02/2023 às 14h52 · Atualizado em 04/02/2023 às 15h16
Gaslighting: o que é, como identificar e o que fazer?
Foto: Reprodução

A casa mais vigiada do Brasil pegou fogo recentemente. A direção do BBB 23 advertiu ao vivo o casal Gabriel e Bruna Griphao, por conta de atitudes e falas do rapaz, carregadas por machismo dominante, agressividade e ameaças veladas contra a atriz.

Com o objetivo de evitar que a situação chegasse a proporções mais sérias, o alerta foi dado e ficou claro o relacionamento abusivo e tóxico existente entre os dois. Para a psicanalista Andrea Ladislau, a situação se configurou como um típico caso de abuso psicológico chamado Gaslighting.

O que é gaslighting?

“A melhor definição para o Gaslighting é um tipo de abuso silencioso, já que não há uma agressão clara. Mas sim, a agressão existe e vem disfarçada de ações que podem camuflar a perversidade do processo em si”, explicou a psicanalista.

Ainda de acordo com a especialista, o Gaslighting ressalta o fato de que a vítima quase nunca tem consciência de estar sendo abusada e uma das características deste processo é que o agressor usa de estratégias perversas para fazer com que ela tenha dúvidas sobre os fatos e acredite que tudo não passa de invenção, paranoia ou uma histeria de sua cabeça.

“Isso faz com que a vítima pense estar sempre equivocada e exagerando em suas proposições. Insultos, agressões verbais, diminuições claras, depreciação, manipulações também são encontrados nessa rede do Gaslighting”, afirmou Ladislau. 

Como identificar?

Para Tatiana Pimenta, CEO da Vittude (uma plataforma de atendimento psicológico online), o gaslighting é uma forma de tortura psicológica que destrói a autoestima, a autoconfiança e o amor-próprio das vítimas por meio de ataques sutis. Raramente a pessoa que sofre essa violência reconhece os impactos dela em sua saúde mental.

“A identificação desse tipo de violência é desafiadora porque normalmente as agressões são sutis. Disfarçadas de comentários ligeiramente maliciosos ou indiretos, os abusos são proferidos com frequência pelo agressor. A vítima, confusa com as atitudes do mesmo, não sabe muito bem como responder a eles”, reiterou Pimenta.

Outra característica que dificulta a situação é o vínculo entre o agressor e a vítima. Não raro a tortura psicológica é cometida por parceiros, chefes, amigos, colegas de trabalho, familiares e outras pessoas do círculo social da vítima.

O que fazer?

Primeiramente, é preciso buscar se afastar do agressor. Quando um cônjuge ou um familiar que reside na mesma residência é o abusador, o distanciamento pode ser difícil. Portanto, passe alguns dias na casa de alguém de confiança ou se afaste quando a pessoa adentrar o cômodo. Esse período de afastamento vai ajudá-lo a pensar com clareza, sem as influências do indivíduo hostil ou de terceiros.

“Em seguida, procure ajuda para reerguer a sua autoestima e curar as feridas emocionais causadas pelas agressões constantes. Ela pode vir de amigos ou de familiares, preferencialmente daqueles cujo conhecimento da situação é vasto. A ajuda psicológica também é extremamente necessária no processo de recuperação”, concluiu Pimenta.