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A Crítica
Saúde

Geração millennial sob alerta de câncer precoce

Hábitos modernos, alimentação ultraprocessada e descuido com check-ups elevam o número de diagnósticos de câncer entre millennials

Publicado em 08/11/2025 às 15h16
Geração millennial sob alerta de câncer precoce
Foto: Reprodução

Estudos recentes apontam uma tendência alarmante: os millennials, geração nascida entre o início dos anos 1980 e meados dos 1990, estão apresentando índices crescentes de câncer em relação às gerações anteriores. Segundo pesquisa publicada na BMJ Oncology, a incidência de câncer em pessoas com menos de 50 anos aumentou 79% nas últimas décadas.

Na prática clínica, esse cenário já é uma realidade, como confirma a médica oncologista Dra. Poliana Signorini. “Nos últimos anos, vínhamos percebendo no consultório um aumento no número de pacientes jovens com diagnóstico de câncer. Isso veio a ser confirmado com dados da pesquisa recentemente publicada na revista BMJ Oncology, que mostrou aumento de 79% na incidência de câncer em pacientes abaixo de 50 anos. Infelizmente, nessa faixa etária a doença costuma ser mais agressiva”, relata.

Entre os fatores mais preocupantes, a especialista destaca os hábitos alimentares modernos. “Os alimentos ultraprocessados ocupam a mesma prateleira do cigarro quando falamos de carcinogênese, portanto, precisamos evitá-los. O sedentarismo também se tornou um grande desafio para a manutenção da saúde nos dias de hoje”, explica.

Outro ponto crítico é a negligência dos jovens em relação à prevenção. “O jovem acredita que, justamente por ser jovem, não precisa se preocupar com prevenção ou rastreio de doenças malignas. Com isso, acabam negligenciando os exames de check-up ou mesmo ignorando sinais e sintomas de alerta”, observa a oncologista. Ela reforça que é fundamental manter o calendário vacinal atualizado, especialmente com vacinas contra HPV e hepatite B, e realizar exames de imagem de acordo com histórico familiar e hábitos de vida.

Segundo a médica, conhecer o próprio corpo é essencial para detectar sinais precoces de que algo não vai bem. “Nosso corpo emite sinais o tempo todo! Um exemplo comum está no hábito intestinal — mudanças na frequência, consistência ou coloração devem ser sempre valorizadas”, alerta.

Estilo de vida

Para reduzir efetivamente o risco de câncer precoce, a Dra. Poliana recomenda mudanças simples, porém consistentes, no estilo de vida. “Os hábitos alimentares dos jovens precisam de reprogramação. A geração dos millennials assistiu ao crescimento da indústria de alimentos com cada vez mais oferta de ‘comidas’ embaladas ricas em aditivos, estabilizantes e conservantes, e isso acabou virando uma cilada.

“Entretanto, é justamente nessa praticidade que surgiu o hábito perigoso e viciante de ingerir alimentos ultraprocessados. É também uma geração que precisa dar valor à prática de atividade física, controle de peso e melhora da qualidade do sono”, conclui.