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A Crítica
Saúde

Gravidez segura: cuidados para evitar a pré-eclâmpsia

Especialista alerta para algumas precauções durante a gestação, a fim de evitar a condição que acometeu a cantora Lexa

Publicado em 18/02/2025 às 14h12
Gravidez segura: cuidados para evitar a pré-eclâmpsia
Foto: Divulgação

A pré-eclâmpsia, uma complicação grave da gravidez, voltou a ser debatida após a cantora Lexa ser acometida pela condição, que resultou no parto prematuro e, consequentemente, falecimento da sua bebê. Caracterizada por pressão arterial elevada e sinais de danos a outros órgãos, ela pode levar a complicações severas se não for diagnosticada e tratada a tempo.


Por conta disso, o VIDA & ESTILO deste sábado (15) conversou com a médica ginecologista, obstetra, ultrassonografista e especialista em Medicina Fetal, Christine Rondon Pedrosa, para saber mais sobre a pré-eclâmpsia, a fim de alertar as futuras mamães acerca de fatores de risco e cuidados especiais ao longo da gestação.


Conforme a profissional, a condição faz parte de um grupo de doenças denominado “Doenças hipertensivas da gestação” e corresponde à pressão arterial elevada – acima de 140 x 90 mmHg -, associada tradicionalmente à perda de proteína na urina (proteinúria). “Comumente, surge após a 20a semana gestacional e tem como principais fatores de risco história pessoal ou familiar de pré-eclâmpsia, sobrepeso/obesidade, gestação por fertilização in vitro ou uso de drogas estimuladoras de ovulação, além da presença de comorbidades como hipertensão arterial, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome do anticorpo antifosfolípide e diabetes. Eclâmpsia consiste na paciente com pré-eclâmpsia que passou a apresentar convulsões tônico-clônicas”, explicou Christine.


A médica ginecologista e obstetra reforça que a condição pode ser completamente silenciosa, de forma que a única suspeita é feita através da medida da pressão arterial, que deve ser aferida em toda consulta de pré-natal. “Formas mais graves podem apresentar edema de membros inferiores e dor de cabeça. Sintomas que devem alertar a proximidade de evolução para eclâmpsia são alterações visuais [visão turva, pontinhos cintilantes no campo de visão], dor no andar superior direito do abdômen e dor de cabeça intensa”, listou.


Diagnóstico


O diagnóstico da pré-eclâmpsia é feito através da medida da pressão, com evidência de pressão arterial superior ou igual a 140 x 90 mmHg em duas ocasiões, associada à proteinúria. A proteinúria é diagnosticada através de um exame de urina chamado de proteinúria de 24 horas, no qual a paciente coleta sua urina por 24h e é dosada a quantidade de proteína nesta urina. Se for superior a 300 mg em 24h, está feito o diagnóstico de proteinúria.


“Para monitorar a saúde materno-fetal, devem ser adotadas algumas condutas: acompanhamento no pré-natal de alto risco; realização de exames de sangue com maior frequência; monitoração domiciliar diária da pressão arterial, para avaliar se o tratamento instituído está sendo adequado; e realização de ultrassonografia obstétrica com Doppler, para avaliar crescimento do bebê, assim como volume de líquido amniótico e bem-estar fetal”, completou a especialista.


Complicações


De acordo com Christine, a pré-eclâmpsia é a principal causa de morte materna no mundo, com a mãe acometida podendo se tornar hipertensa crônica, mesmo após o fim da gestação. A condição também é responsável por grande parcela de partos prematuros e comprometimento de crescimento fetal – denominado restrição de crescimento intrauterino -, que pode evoluir para sofrimento fetal e óbito fetal.


“A prematuridade carrega consigo riscos como óbito fetal, comprometimento intestinal [enterocolite necrotizante], comprometimento pulmonar [doença da membrana hialina] e doença da retina do recém-nascido, assim como maior risco de sangramento de sistema nervoso central do recém nascido. Os bebês acometidos por restrição de crescimento possuem maior risco de doença cardiovascular [hipertensão arterial e doença coronariana], metabólica [diabetes mellitus] e obesidade por toda a vida”, frisou.


Tratamento


O tratamento inicial da pré-eclâmpsia consiste no uso de metildopa via oral, acompanhado do monitoramento domiciliar diário da pressão arterial. Caso não haja controle adequado, outras drogas podem ser adicionadas à metildopa, como o nifedipino. 


“Caso não haja controle adequado, pode ser necessária a internação hospitalar e alta apenas se houver controle adequado. Em casos graves, sem controle mesmo com tratamento com múltiplas drogas, pode ser necessária a realização do parto, mesmo que de forma prematura, na tentativa de salvar a vida da gestante”, pontuou a especialista.


Para evitar a condição, Christine dá algumas orientações às mulheres. “Esta é a questão mais importante. Idealmente, todas as pacientes deveriam engravidar no seu peso ideal. Quem estiver com sobrepeso/obesidade deve tentar, desde o período pré-concepcional, adotar dieta e prática de atividades físicas para diminuir o peso e engravidar o mais próximo possível do seu peso ideal. A atividade física, assim como alimentação saudável, deve ser adotada por todas as gestantes”, aconselhou.


Segundo a médica ginecologista e obstetra, o ganho de peso excessivo durante a gestação aumenta o risco de pré-eclâmpsia. “Além disso, todas as gestantes devem receber suplementação de cálcio desde o início da gestação. As pacientes com alto risco para pré-eclâmpsia devem fazer uso de ácido acetilsalicílico [AAS] 100-150 mg todos os dias, antes de dormir, até a 36a semana. O uso do AAS diminui consideravelmente a ocorrência de pré-eclâmpsia e deve ser iniciado antes da 16a semana em pacientes de alto risco e deve ser mantido até a 36a semana, independente do valor da pressão arterial”, encerrou.