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A Crítica
Saúde

Intolerância à lactose: copo de leite ou veneno?

Como um alimento tão importante pode causar tantos problemas em certas pessoas? Saiba tudo na matéria a seguir

Publicado em 05/06/2022 às 16h43
Intolerância à lactose: copo de leite ou veneno?
Foto: Divulgação

Uma pesquisa do instituto Datafolha, realizada em 2017, aponta que 35% da população brasileira com idade acima de 16 anos relata algum tipo de desconforto digestivo, em pequeno ou maior grau, após o consumo de derivados do leite. 

De acordo com a nutricionista Anny Melo, a condição é ainda mais comum do que se imagina e chega a afetar mais da metade da população. Como muitos ainda não sabem o que ela significa e não entende suas causas e sintomas, o diagnóstico fica mais difícil.

“A lactose nada mais é do que o açúcar predominante do leite. Ela também é encontrada nos derivados lácteos. É utilizada pelos organismos como fonte de energia para o desenvolvimento do sistema nervoso central. Toda vez que se consome um copo de leite ou algum de seus derivados, a lactose necessita ser quebrada em carboidratos mais simples (glicose e galactose). Só assim há uma melhor absorção a nível intestinal e, com isso, a geração de energia”, explicou a especialista, ressaltando que a responsável por quebrar a lactose é a enzima lactase. 

Segundo ela, na maioria das pessoas, a atividade da enzima lactase diminui após o desmame, uma vez que o leite passa a não ser mais a principal fonte de energia e nutrientes da dieta. “É isso que as torna menos tolerantes à lactose com o passar dos anos. Por isso, em casos em que ocorre a deficiência ou ausência da lactase na mucosa do intestino delgado, acontece a má digestão desse dissacarídeo (lactose) e a consequente intolerância, que é a incapacidade de digerir a lactose”, complementou. 

Sintomas e diferenças 

Para o endocrinologista Mário Quadros, é importante diferenciar a intolerância à lactose e a alergia ao leite, visto que neste último caso a alergia está relacionada à proteína do leite, principalmente ao de vaca. “Em ambos os casos temos os sintomas intestinais, sensação de mal estar, distensão abdominal, cefaleia e acúmulo de gases, mas na alergia há também reações na pele e no sistema respiratório”, disse. 

Vale destacar, ainda, que a casa da intolerância pode ser adquirida, sendo resultado da agressão ao intestino delgado causada por agentes como adoçantes artificiais, antibióticos em uso irregular, abuso de anti-inflamatórios, corantes alimentares, acidulantes e conservantes. “A intolerância à lactose possui também causas hereditárias que se manifestam logo após o nascimento”, reiterou o endocrinologista.

Alternativas para o problema

Apesar dos problemas, Quadros defende que, mesmo intolerantes, não devemos retirar o leite da dieta. A dica, portanto, é ficar atento aos alimentos industrializados, embutidos e enlatados, com muitos conservantes que alteram a ecologia intestinal. “Inicialmente até seu organismo se equilibrar novamente, use leites vegetais (soja, arroz, amêndoas, aveia etc). Procure usar produtos sem lactose e consuma os que já vem com lactobacilos”, afirmou.

Melo adverte que, com uma dieta restrita em lactose, é preciso encontrar maneiras de adaptar a alimentação de modo a substituir alguns dos nutrientes encontrados no leite. “Boas alternativas são o camarão, ostras e mexilhões. Invista também em dietas ricas em agrião, rúcula, espinafre, brócolis, bertalha, taioba, manjericão, nozes, amêndoas e brócolis”, concluiu.