Lipedema: o diagnóstico que muda vidas
Condição crônica ainda pouco conhecida afeta principalmente mulheres e exige olhar atento e acolhedor do profissional de saúde
Por muito tempo, a amazonense Isabela Pimenta, 41 anos, ouviu dos médicos que suas dores nas pernas, hematomas e dificuldade para emagrecer eram consequência da obesidade ou de problemas circulatórios. “A vida toda senti dores e pesava nas pernas, mas nunca ninguém diagnosticou o lipedema”, lembra. “Fui saber da doença há apenas um ano, depois que uma médica hóspede do hotel onde trabalho conversou comigo e percebeu algo diferente.”
O reencontro com a própria saúde só aconteceu quando ela conheceu a médica Zahilla Cunha de Araújo Maia, que a recebeu em consulta após Isabela assistir a um vídeo seu na internet. “Eu já estava literalmente sem andar quando a procurei”, conta. Desde então, com o acompanhamento da especialista, Isabela voltou a ter mobilidade e qualidade de vida.

(Foto: Divulgação)
A história de Isabela é semelhante à de milhares de mulheres que convivem com o lipedema, uma condição crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo desproporcional e doloroso de gordura, especialmente nas coxas, pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços — poupando pés, mãos e abdômen.
Um diagnóstico que ainda é desafio
“O lipedema não está ligado ao excesso calórico e não responde da mesma forma à dieta ou ao exercício físico, pois há fatores hormonais e genéticos envolvidos”, explica Dra. Zahilla Cunha, médica formada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com pós-graduação em Medicina de Família e Comunidade (UFAM/UNASUS) e Nutrologia (Instituto CDT).
Segundo ela, um dos maiores desafios é justamente o diagnóstico. “O lipedema ainda é pouco abordado nas graduações médicas, então muitas pacientes passam anos sem entender o que têm. O diagnóstico é essencialmente clínico, feito por meio da história, exame físico e análise do padrão corporal. O olhar clínico é fundamental.”
Exames como DEXA e bioimpedância podem auxiliar na análise da composição corporal e na evolução do tratamento, mas não são determinantes para confirmar a doença.
Sinais que merecem atenção
Entre os principais sinais e sintomas estão pernas pesadas, dor intensa ao toque ou espontânea, sensibilidade aumentada, hematomas sem causa aparente e aumento simétrico do volume nos membros, sem afetar os pés — um ponto que ajuda a diferenciar o lipedema do linfedema.
“É comum a mulher perceber que as pernas não emagrecem, mesmo quando perde peso no restante do corpo”, diz Zahilla. Ela recomenda procurar um profissional com um olhar ampliado sobre a saúde da mulher e o metabolismo, capaz de diferenciar o lipedema de outras condições e propor um acompanhamento individualizado.
Tratamento e qualidade de vida
De acordo com a médica, o tratamento é individualizado e contínuo, envolvendo uma abordagem multiprofissional. “Trabalhamos com mudanças de estilo de vida, estudo hormonal, otimização nutricional, atividade física direcionada e terapias físicas, como enfaixamento e uso de meias compressivas específicas”, explica.
Nos casos mais avançados, a lipoaspiração específica para lipedema pode trazer resultados expressivos, desde que associada ao acompanhamento clínico e à reeducação metabólica. “Quando tratada da forma correta, a paciente recupera mobilidade, autoestima e qualidade de vida, mesmo convivendo com a condição.”
O impacto emocional e a importância do acolhimento
Além das dores físicas, o lipedema traz uma carga emocional profunda. “Muitas mulheres crescem acreditando que o corpo delas é ‘errado’ ou fruto de preguiça, quando na verdade estão lidando com uma condição médica real e ainda pouco estudada”, ressalta Zahilla.
Ela destaca a falta de políticas públicas voltadas à doença e reforça a importância do acolhimento médico: “O tratamento começa pela escuta ativa, sem julgamento. O primeiro passo é validar a dor daquela mulher que está ali na nossa frente. Quando ela entende o seu corpo e percebe que há caminhos possíveis, retoma o protagonismo da própria saúde e da própria história.”
O olhar humano no atendimento
Isabela Pimenta lembra com emoção do primeiro atendimento com a Dra. Zahilla. “Antes mesmo da consulta, a enfermeira dela fez uma entrevista detalhada sobre minha rotina, sono, alimentação e histórico de saúde. Quando entrei no consultório, a doutora já sabia tudo sobre mim. Foi um exame completo, com medidas, bioimpedância e, principalmente, escuta e empatia”, relata.
Após a primeira consulta, o acompanhamento seguiu de forma contínua, com ajustes no tratamento e apoio constante. “Hoje tenho muito mais qualidade de vida. O atendimento da Dra. Zahilla foge completamente dos padrões — é técnico, cuidadoso e humano. Isso faz toda a diferença.”