Manaus sex, 16 out
A Crítica
Saúde

Manaus apresenta queda de anticorpos para o novo coronavírus

Estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) aponta redução nos índices de anticorpos como o IgG, que é produzido após 15 dias de sintomas da doença

Publicado em 01/09/2020 às 14h07 · Atualizado em 09/03/2022 às 23h48
Manaus apresenta queda de anticorpos para o novo coronavírus
Foto: Euzivaldo Queiroz

Como uma das primeiras capitais a registrar queda no ritmo de infecções para o novo coronavírus, o estudo de Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil (Epicovid19-BR) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), aponta que a população de Manaus apresenta redução de anticorpos para o vírus.

Enquanto outras regiões do Brasil detectavam percentuais elevados de casos de Covid-19, a região Norte apontava desaceleração da pandemia e consequentemente, queda nos percentuais de IgG – o anticorpo produzido na fase tardia da infecção e detectável a partir do 15º dia de sintomas.

De acordo com o estudo, que está atualmente na fase 4, a população estimada com tipo IgG de anticorpo caiu de 14,6% na fase 2 – realizada entre 4 e 7 de junho, para 8% na fase 3, realizada entre 21 e 24 de junho.

Diante da discussão, o médico infectologista Marcus Vinitius de Farias Guerra, diretor-presidente da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), explica que a redução de anticorpos não significa perda da imunidade e suscetibilidade a uma nova infecção.

“Ainda estamos a nove meses de ocorrência de uma nova doença, portanto muito tem que ser investigado para que possamos conhecê-la. No entanto a diminuição de anticorpos não significa perda total da imunidade, pois a mesma não permanece no quantitativo de anticorpos e sim na memória imunológica que o organismo desenvolve”.

O que o médico explica é que o sistema imune do humano vai além dos anticorpos, ela não é a única defesa do organismo, e particularmente contra vírus. Para se ter noção, existe um outro braço da resposta imune adaptativa que se chama resposta celular.

Assim, em caso de uma reentrada do vírus no organismo, o corpo reage de forma mais célere e eficiente contra o inimigo. O especialista ainda afirma que os estudos sorológicos são feitos com testes que não são 100% sensíveis, e que com o tempo o anticorpo pode não ser detectado.

“Os testes utilizados também não são muito sensíveis, mas de todo modo revelam a população infectada o que já ajuda a avaliar a extensão do número de infectados”, afirmou. Entretanto, ele não descarta que o indivíduo possa ser reinfectado por uma nova linha de vírus, por exemplo, situação esta que necessidade de atenção por parte dos cientistas.

“Mas não diz qual a cepa ou linhagem do vírus que circulou entre a população infectada, podendo, portanto, a população no ano seguinte ser infectado por uma nova cepa do vírus, que é o que tem ocorrido com os vírus da influenza todos os anos”, finaliza. Até o fechamento da matéria, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas não se posicionou a respeito do tema.

Estudo

O estudo EPICOVID19-BR, que mapeia a epidemiologia do coronavírus no Brasil, concluiu as três fases previstas no cronograma original. A primeira fase foi realizada entre os dias 14 e 21 de maio, totalizando 25.025 entrevistas e testes. A segunda fase realizou-se entre os dias 4 e 7 de junho, tendo sido conduzidas 31.165 entrevistas e testes. A terceira fase ocorreu entre os dias 21 e 24 de junho, totalizando 33.207 entrevistas e testes.

Somando as três fases da pesquisa, trata-se do estudo epidemiológico com maior número de indivíduos testados do mundo para o coronavírus, com uma amostra total de 89.397 pessoas entrevistadas e testadas. O estudo é realizado em 133 cidades, espalhadas por todos os estados do Brasil. A quarta etapa do estudo ocorreu entre os dias 27 a 30 de agosto, e ainda será divulgado.

Além de estimar o percentual de brasileiros infectados com o SARS-CoV-2, o estudo permite determinar o percentual de infecções assintomáticas, avaliar os sintomas mais comumente relatados pelos infectados e analisar a velocidade de disseminação do contágio ao longo do tempo. A quarta etapa da pesquisa tem financiamento do programa Todos pela Saúde, fundo criado pelo Itaú Unibanco para apoiar o enfrentamento da Covid-19 no Brasil.