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A Crítica
Saúde

Médicos tambem precisam se cuidar

Neste Dia do Médico, VIDA traz histórias reais de profissionais que, desde pequenos, escolheram salvar vidas

Publicado em 18/10/2025 às 17h12
Médicos tambem precisam se cuidar
Foto: Reprodução

Por trás dos jalecos brancos, estetoscópios e rotinas intensas, existem corações que também sentem, sonham e enfrentam desafios. Em homenagem ao Dia do Médico, celebrado neste sábado (18), o VIDA mergulha nos bastidores da vida de quem escolheu dedicar sua existência a salvar outras – e que, ao longo do caminho, precisou aprender a cuidar de si. São histórias de coragem, fé, ciência e, acima de tudo, humanidade.

A endocrinologista Camila Bandeira (@dra.camilabandeira), o cardiologista Paulo Ferreira (@pauloferreiracardio) e o urologista Cristiano Paiva (@drcristianopaiva) representam uma geração de profissionais que conciliam conhecimento técnico com acolhimento, tecnologia com empatia e ciência com propósito. Cada um, à sua especialidade, traduz o que significa “cuidar de quem cuida”.

Desejo que nasceu na infância

Camila lembra que a curiosidade foi o primeiro passo rumo à Medicina. Desde criança, encantava-se com o funcionamento do corpo humano. “A endocrinologia veio como uma paixão por essa complexidade silenciosa: ela exige raciocínio clínico, paciência e um olhar para o todo. É uma especialidade que não trata apenas exames, mas histórias”, relata.

Para ela, acompanhar pacientes ao longo dos anos significa construir vínculos que ultrapassam a consulta.

Paulo, por sua vez, diz que a Medicina foi um “dom percebido ainda na infância”. Filho de profissionais de laboratório, cresceu cercado pelo universo da saúde e encontrou na cardiologia uma forma de unir vocação e fascínio. “Eu gostava de ouvir o coração batendo e de entender como isso acontecia”, relembrou.

A paixão pelo músculo que simboliza a própria vida foi o impulso para trilhar uma jornada marcada por fé e disciplina.

Cristiano também carrega a vocação desde cedo. Ainda menino, já sonhava em vestir o jaleco. “Sempre me fascinou entender o funcionamento do corpo humano e a possibilidade de cuidar das pessoas de forma integral”, afirmou.

Na urologia, encontrou uma área que une técnica, acolhimento e inovação – e tem usado sua atuação para quebrar tabus e aproximar os homens dos cuidados com a própria saúde.

Rotinas

Cuidar de outros não é simples e exige, cada vez mais, olhar para dentro. Camila equilibra a rotina de médica, mãe e empreendedora. “Aprendi que não é sustentável cuidar de todos se eu não estiver bem. Autocuidado não é luxo, é parte da ética de quem cuida”, refletiu.

Paulo também enfrentou um momento de virada: em 2001, ao sofrer uma crise de saúde, entendeu que precisava mudar hábitos e priorizar a própria vida. “Foi um choque de realidade. Eu não estava cuidando de mim como cuidava dos outros”, recordou.

Cristiano, que viveu desafios financeiros no início da carreira, reforça que cuidar de si é também uma forma de inspirar a equipe e os pacientes. “Procuro ser coerente, mantendo exercícios diários, alimentação equilibrada e espiritualidade ativa. ‘Cuidar de quem cuida’ é manter viva a empatia e o propósito de servir”, destacou.

Tecnologia

O avanço das tecnologias e a popularização das redes sociais também transformaram a relação entre médicos e pacientes. Camila vê o digital como ferramenta de aproximação, desde que usada com responsabilidade. “Hoje, as pessoas chegam mais informadas, o que é ótimo, desde que saibamos filtrar ciência de tendência. A tecnologia nunca substitui a escuta e o vínculo humano”, ponderou.

Paulo enxerga as redes como um “universo colorido e veloz”, capaz de educar e desmistificar. Para ele, cabe ao médico reforçar a veracidade das informações. “Precisamos alertar sobre os conteúdos falsos e direcionar nossos pacientes ao que é verdadeiro, ético e científico”, afirmou.

Cristiano utiliza as plataformas para levar informação médica acessível e humanizada, especialmente sobre saúde masculina. Para ele, a tecnologia e inovações, como a cirurgia robótica, ampliam o alcance do cuidado. “A Medicina está mais precisa e a comunicação, mais próxima. Isso fortalece a confiança entre médico e paciente”.

Além das transformações tecnológicas, há um ponto comum que une os três: a consciência de que ser médico também significa ser humano. “Cuidar de quem cuida é reconectar o propósito com a leveza”, diz Camila. Para Paulo, “o melhor jeito de ensinar é pelo exemplo”. E Cristiano completa: “A Medicina vai muito além da técnica. É uma vocação de amor”.