Mulheres com insônia têm maior risco de dependência de drogas Z, aponta diretriz
Trabalho recém-lançado pela Academia Brasileira de Neurologia alerta para o uso inadequado de zolpidem e medicamentos semelhantes
No Mês da Mulher e de Conscientização do Sono, um documento recém-lançado pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN) liga o alerta para um problema silencioso: o uso inadequado de medicamentos para a insônia e o risco de dependência. A diretriz revela que mulheres adultas, profissionais da saúde e pessoas com histórico de transtornos mentais estão no grupo de maior risco, e detalha, pela primeira vez no país, protocolos estruturados para reduzir, substituir e descontinuar as chamadas “drogas Z” com segurança.
Estudos apontam que o consumo de zolpidem aumentou durante o período da pandemia, associado ao crescimento das queixas de insônia. O alerta ocorre em um cenário preocupante de saúde do sono no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, 72% da população apresenta algum tipo de alteração no sono e 36,2% das mulheres relatam sintomas de insônia, contra 26,2% dos homens, o que indica maior ocorrência do problema entre elas.
O tema ganha relevância diante do salto pós-pandemia nas queixas de ansiedade, exaustão e noites mal dormidas. O consenso, que tem apoio exclusivo da Apsen, indústria farmacêutica familiar e 100% nacional, orienta estratégias práticas para o desmame, aponta sinais de alerta, explica por que a interrupção abrupta é perigosa, além de detalhar quando alternativas como a trazodona podem ser usadas como apoio durante o processo.
O cenário da insônia no Brasil
A rotina acelerada, o estresse e a dificuldade em desacelerar têm feito do sono um dos grandes termômetros da saúde. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, só em 2020, ano marcado pelo início da pandemia, os casos de depressão e ansiedade aumentaram 25%, evidenciando o vínculo entre o sono e o equilíbrio emocional. Impulsionados por fatores como isolamento social, insegurança econômica e mudanças abruptas na rotina, esses transtornos estão entre os principais fatores associados à insônia, pois a ansiedade tende a aumentar o estado de alerta do organismo e dificultar o início do sono, enquanto a depressão pode alterar o ritmo circadiano e fragmentar o descanso noturno.