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A Crítica
Saúde

O ‘boom’ das vitaminas em goma requer atenção

Coloridas, saborosas e fáceis de consumir, as vitaminas em goma ganham espaço nas prateleiras e nas rotinas. Mas especialistas alertam: o excesso pode causar mais prejuízos do que benefícios

Publicado em 15/06/2025 às 14h05
O ‘boom’ das vitaminas em goma requer atenção
Foto: Divulgação

Com aparência de bala de gelatina e sabor de frutas, as chamadas gummy vitamins têm se popularizado entre adultos e crianças. Comercializadas como opções práticas para quem deseja reforçar a imunidade ou complementar a alimentação, essas gomas vitamínicas conquistam consumidores pelo apelo visual e pelo paladar agradável.

No Brasil, o mercado de suplementos movimentou mais de R$ 7 bilhões em 2023, segundo a Euromonitor. O formato em goma, que já é tendência nos Estados Unidos, representa uma fatia crescente desse setor, especialmente entre quem tem dificuldade de engolir comprimidos ou busca uma forma mais “leve” de cuidar da saúde.

Atrativos e armadilhas

Apesar da praticidade, muitos desses produtos contêm adição de açúcares, corantes e aromatizantes artificiais. Uma única porção pode ultrapassar 6 gramas de açúcar, o que representa uma parte significativa da recomendação diária. A textura pegajosa, típica dessas gomas, também favorece o acúmulo nos dentes, o que pode contribuir para o desenvolvimento de cáries, principalmente quando o consumo não é seguido de boa higiene bucal.

Outro ponto de atenção é o risco de superdosagem. Algumas vitaminas, como A, D, E e K, são lipossolúveis e se acumulam no organismo. Quando ingeridas em excesso, podem causar efeitos adversos que vão de náuseas a danos mais graves. Como muitas dessas gomas são vendidas sem prescrição, o uso contínuo e sem orientação se torna comum, aumentando os riscos.

A ilusão da segurança

Além das possíveis doses elevadas, análises laboratoriais já mostraram que o teor real de vitaminas nem sempre corresponde ao indicado nos rótulos. Isso porque os fabricantes costumam incluir uma quantidade maior para compensar perdas naturais ao longo do tempo de prateleira. O resultado pode ser um desequilíbrio nutricional ou a neutralização dos efeitos esperados.

Embora o formato seja bem recebido por públicos específicos — como idosos, crianças ou pessoas com dificuldades alimentares —, o consumo deve ser sempre criterioso. Para a maioria da população, uma alimentação equilibrada é suficiente para atender às necessidades diárias de vitaminas e minerais, sem a necessidade de recorrer a suplementos.