Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Saúde

Os  perigos  da tadalafila

O medicamento vem sendo utilizado por pessoas sem diagnóstico com promessas de alto desempenho sexual

Publicado em 27/07/2025 às 20h45
Os  perigos  da tadalafila
Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF

A venda da tadalafila, medicamento utilizado no tratamento da disfunção erétil, disparou no Brasil na última década. Segundo levantamento divulgado pela Anvisa em maio deste ano, as unidades comercializadas saltaram de 3 milhões em 2015 para 64 milhões em 2024, configurando um crescimento de aproximadamente 2.000%.

O aumento expressivo levanta preocupações entre especialistas, especialmente pelo avanço da automedicação e da popularização do remédio para fins recreativos..

A medicamento é um inibidor da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), que atua na musculatura lisa dos corpos cavernosos do pênis, facilitando a ereção por meio do aumento do relaxamento dos vasos sanguíneos, aumentando o fluxo de sangue em algumas regiões do corpo.

Seu uso é indicado para homens com disfunção erétil, e também para tratamento da hiperplasia prostática benigna em algumas situações clínicas.

 

No entanto, o medicamento vem sendo utilizado cada vez mais por indivíduos sem diagnóstico médico, movidos por promessas de aumento de desempenho sexual, muitas delas infundadas e amplificadas por conteúdos virais nas redes sociais.

A visibilidade do remédio em plataformas digitais como Instagram e TikTok contribui para a banalização da disfunção erétil e para o crescimento da chamada “masculinidade ansiosa”, termo cunhado por psicólogos para descrever a pressão sobre o homem moderno em corresponder a padrões irreais de performance sexual.

“A busca desenfreada por desempenho leva à ansiedade, insegurança e até depressão em alguns casos”, afirma o urologista Dr. Giuseppe Figliuolo, da Clínica Urocentro Manaus e presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (seccional Amazonas).

“Além disso, há um distanciamento da experiência sexual autêntica, afetiva, emocional. Tudo isso é ignorado em favor de uma solução rápida e farmacológica”, destaca o urologista.

O uso indiscriminado da tadalafila sem orientação médica pode provocar uma série de efeitos colaterais e perigos à saúde, afirmou o especialista.

“Dor de cabeça, diarreia, azia, indigestão, rubor, dor no estômago, nos músculos, tosse, tontura e visão borrada, hipotensão (queda de pressão) que pode ser agravada por interações medicamentosas, priapismo (ereção prolongada e dolorosa), disfunção erétil induzida por fármacos, causada pelo uso repetido sem necessidade clínica, máscara de doenças cardiovasculares subjacentes, retardando diagnósticos importantes”, disse.

Automedicação

A automedicação é perigosa, pois pode gerar dependência e até levar à morte, segundo o especialista. “O uso consciente e seguro exige acompanhamento médico regular e dosagens ajustadas às necessidades de cada paciente”, reforça Figliuolo.

De acordo com o especialista, o caminho ideal para tratar disfunção erétil passa por avaliação criteriosa e abordagem multidisciplinar.

Algumas alternativas incluem:

  • Mudança no estilo de vida;
  • Atividade física;
  • Alimentação balanceada;
  • Sono de qualidade;
  • Redução do estresse;
  • Tratamento de causas fisiológicas subjacentes: como diabetes, hipertensão, hipogonadismo e depressão;
  • Psicoterapia e apoio emocional, especialmente em casos relacionados à ansiedade de desempenho ou traumas.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) intensificou campanhas contra a automedicação e alerta para o crescimento de casos envolvendo uso recreativo da tadalafila. Em nota oficial, a entidade informa.

“Toda medicação precisa ser utilizada com propósito clínico definido, sob supervisão médica. O uso indiscriminado contribui para distúrbios sexuais, danos cardiovasculares e efeitos psicológicos graves.”

A SBU reforça que a tadalafila deve ser utilizada apenas sob prescrição médica e para as indicações terapêuticas aprovadas, como tratamento de disfunção erétil e outras patologias. O uso indiscriminado pode levar à dependência psicológica e expor o indivíduo a efeitos colaterais.