Prazer, saúde e escolhas: cuidados para tomar no carnaval
Entre encontros, excessos e autocuidado, especialista explica como curtir a folia com mais consciência
O beijo, o abraço e o encontro entre corpos sempre fizeram parte da linguagem do carnaval. Em meio à música alta, às ruas cheias e à sensação coletiva de liberdade, o contato físico ganha protagonismo e se transforma em símbolo de afeto, desejo e conexão. Em 2026, no entanto, essa troca carrega novos significados, atravessados por debates sobre saúde, autocuidado e responsabilidade individual.
Após a pandemia e a ampliação do acesso à informação sobre prevenção, o comportamento dos foliões passou por mudanças. Se, por um lado, há mais consciência sobre riscos e cuidados básicos, por outro, o clima de euforia ainda favorece excessos.
Para a médica Tatiane Lima Aguiar, especialista em Clínica Médica e Cardiologia e 1ª secretária do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), o desafio está em encontrar equilíbrio.
“Carnaval é um ambiente festivo, porém, também de autoexposição. Você tem aglomeração, privação de sono, calor, uso de álcool, muito contato físico e redução do senso crítico. É consequência previsível desse contexto que algumas doenças possam proliferar”, afirmou.

Para a médica Tatiane Lima Aguiar, o desafio está em encontrar equilíbrio durante o carnaval; (Divulgação)
O beijo, gesto central da folia, também merece atenção. Segundo a médica, ele continua sendo uma importante via de transmissão de doenças.
“Beijo, contato íntimo e compartilhamento de objetos como copos, cigarros e vapes aumentam o risco de transmissão por saliva e gotículas. Doenças respiratórias, mononucleose, herpes labial, meningites e infecções sexualmente transmissíveis como HIV, sífilis, gonorreia, clamídia e HPV merecem atenção”, explicou.
Na avaliação da especialista, a população está mais informada, mas nem sempre mantém os cuidados durante as festas.
“O acesso à informação está mais disseminado e permite maior conscientização. O problema é que, durante o carnaval, com álcool, privação de sono e euforia, a adesão às medidas de prevenção cai. Existe consciência, mas a consistência é interrompida”, observou.
Orientações
Entre os erros mais comuns, Tatiane destaca a falta de hidratação e o consumo excessivo de álcool.
“As pessoas deixam de beber água, ingerem muita bebida alcoólica, misturam com energéticos, ficam muito tempo sem comer e ignoram a proteção solar. Também compartilham copos, fazem sexo sem preservativo e suspendem medicamentos de uso contínuo”, alertou.
Além das infecções, outros riscos à saúde se intensificam durante o período. Acidentes, quedas, atropelamentos, afogamentos e episódios de violência também fazem parte das estatísticas.
“Há ainda intoxicação por substâncias, agravamento de doenças crônicas, insolação, exaustão térmica, desidratação com risco de lesão renal, crises de ansiedade, problemas de saúde mental e infecções de pele e olhos”, listou a médica.

Conforme a especialista, é fundamental se hidratar bem antes, durante e depois das festas, intercalar álcool com água, se alimentar, usar protetor solar, fazer pausas e descansar (Divulgação)
Diante desse cenário, a principal recomendação é planejar o cuidado com o próprio corpo.
“É fundamental se hidratar bem antes, durante e depois das festas, intercalar álcool com água, se alimentar, usar protetor solar, fazer pausas e descansar. Roupas leves ajudam muito”, orientou.
Para quem convive com doenças crônicas, a atenção deve ser redobrada.
“Pessoas com asma, diabetes, hipertensão ou outras condições precisam manter o uso dos medicamentos. Se for necessário, leve para a festa e tome no horário. Não interromper o tratamento evita complicações”, reforçou.
O descanso também faz parte da prevenção. Segundo Tatiane, noites mal dormidas e esforço excessivo comprometem o organismo.
“É importante ter um período mínimo de repouso, evitar uso indiscriminado de anti-inflamatórios, porque junto com desidratação podem causar lesão renal, e respeitar os limites do corpo”, pontuou.
Por fim, a médica destaca que curtir o carnaval com segurança também envolve cuidar de si e dos outros.
“Se houver sintomas como falta de ar, dor no peito, confusão, desmaio, febre alta, vômitos ou sinais de desidratação, é fundamental procurar atendimento médico. Combine pontos de encontro, tenha contato de emergência e cuide das pessoas à sua volta, porque alguém pode precisar de ajuda. O principal é aproveitar com intensidade, mas com responsabilidade e atenção à própria saúde”.