Qualidade de vida após os 60: educador físico ajuda idoso a superar hérnia e voltar ao futebol
Com treinos orientados por Eder Lima, o manauara Eduardo dos Santos Gomes, de 69 anos, recuperou autonomia e qualidade de vida após quase um ano sem andar
Uma hérnia de disco na coluna lombar quase fez o manauara Eduardo dos Santos Gomes, de 69 anos, acreditar que não voltaria mais a andar. Apesar de ter passado quase um ano impossibilitado de realizar tarefas simples do dia a dia devido à dor, foi por meio da atividade física e da orientação profissional adequada que Eduardo pode realizar um sonho: voltar a jogar futebol e futevôlei com quase 70 anos de idade.
A experiência de Eduardo não é isolada. Para muitos idosos, tarefas que parecem simples, como subir uma escada, carregar uma sacola de compras ou brincar com os netos, podem se tornar grandes desafios com o passar dos anos. Mas como não se pode parar o tempo, como garantir que pessoas com 60 anos ou mais não apenas vivam mais, mas vivam melhor e com independência?
Para o educador físico Eder Lima, responsável por acompanhar idosos como Eduardo, a resposta está no movimento. A prática regular, segundo ele, proporciona inúmeros benefícios para os idosos, que vão além do físico.
“Chegar à melhor idade com independência física e mental é o que importa no público 60+. Alguns benefícios são a autonomia em fazer tarefas do dia a dia, como andar, ir à atividade física, dirigir, realizar tarefas domésticas, entre outros”, disse.
Avaliação física e médica são essenciais
Mas engana-se quem pensa que basta começar a treinar de um dia para o outro sem preparação alguma. O profissional elencou alguns cuidados que o idoso deve ter antes de iniciar o treino e deixou um alerta sobre a importância da avaliação física e médica.
“Estar com os parâmetros médicos em dia é fundamental. Fazer exercícios sem um exame clínico e funcional torna o processo mais difícil. Avaliação física e médica são essenciais”, destacou Lima.
Os primeiros passos, segundo o especialista, não exigem grandes equipamentos ou treinos intensos. Eder deu algumas dicas de exercícios para quem está começando: “Exercícios de mobilidade e estabilidade, como equilíbrio, movimentos mais alongados e, posteriormente, força muscular, são importantes para uma melhor independência.”
Desafios do corpo e da mente
E se os desafios físicos podem ser superados com treino e disciplina, o mesmo nem sempre acontece com a mente – e a teimosia de alguns.
Segundo o profissional, convencer o idoso de que a prática de exercícios é importante para a sua autoestima, independência e para a saúde em geral é mais desafiador do que as próprias limitações físicas.
“O idoso que não é acostumado ao exercício demora um pouco a entrar no clima, mas, quando vê resultados, passa a ter mais disciplina e continua”, disse Eder.
Saúde e autonomia
Mas foi superando todos esses desafios que hoje, depois de 19 anos praticando exercícios regularmente, Eduardo afirma com firmeza que sua vida mudou. Segundo ele, a atividade física lhe trouxe disposição para o dia a dia e para as rotinas mentais e físicas que o seu trabalho demanda.
Eduardo, que pensou que não ia mais voltar a andar por causa da hérnia de disco, destaca que, mais do que saúde, o que ele recuperou foi autonomia.
“Tenho autonomia para dirigir, praticar esportes, pegar meus netos no colo, e isso não tem preço. Os exercícios me salvaram de estar numa cadeira de rodas, impossibilitado de qualquer movimento com as pernas. Sentir dor na coluna é uma das piores dores que uma pessoa pode sentir, e a atividade física me salvou de ter um futuro ruim”, comemorou.
Workshop
Preparar profissionais para lidar com os desafios do envelhecimento também é uma necessidade que precisa ser suprida para que histórias como a de Eduardo sejam multiplicadas. No próximo dia 1º de novembro, no Teatro Manauara, em Manaus, o tema será destaque no “Café com Longevidade”, um evento voltado para profissionais de saúde.
O encontro reunirá especialistas em geriatria, fisioterapia, educação física e outras áreas da saúde para discutir estratégias e apresentar o que há de mais atual na ciência para promover qualidade de vida, autonomia e independência para o público 60+.