Seu animal de estimação está envelhecendo?
Saiba como adaptar a rotina para dar qualidade de vida a cães e gatos sêniores.
Se você tem um animalzinho de estimação, é muito comum que o vínculo com ele cresça ao longo dos anos. O tempo passa para todos, inclusive para eles. E quando o seu cachorro ou o seu gato entram na fase idosa, é importante perceber as mudanças para fazer adaptações na rotina e no estilo de vida.
Com mais de 20 anos de experiência clínica, o médico veterinário Franklyn Ferreira de Oliveira destaca que os primeiros sinais de que um cão ou gato entrou na fase sênior variam um pouco por raça e tamanho.
“Geralmente esses sinais incluem diminuição de energia, como o pet dormindo mais ou evitando brincadeiras que antes adorava; dificuldade para se mover, como subir escadas ou pular no sofá; mudanças no apetite ou peso (ganho ou perda inesperada); problemas sensoriais, como visão embaçada (olhos nublados) ou audição reduzida (não responder a chamadas); e alterações comportamentais, como irritabilidade ou confusão em locais familiares”, destaca.

(Foto: Reprodução)
Franklyn aproveita para passar aos leitores do VIDA algumas orientações técnicas baseadas na vivência clínica.
“No dia a dia, o proprietário do pet pode perceber isso observando se o animal demora mais para se levantar, manca levemente após repouso, ou come menos animado. Quanto à idade, não é uma linha exata, mas cães são considerados idosos a partir dos 7 anos em geral — pequenos portes por volta dos 8-12 anos, médios aos 7, grandes aos 6 e gigantes aos 5”, explica.
A partir daí, a rotina precisa ser ajustada: horários de alimentação mais tranquilos, refeições separadas dos animais mais jovens e adaptações nas brincadeiras.
“Adaptações simples na rotina podem fazer uma diferença enorme no bem-estar. Na alimentação, troque para rações específicas para sênior, com menor calórico, maior digestibilidade e suplementos para articulações (como condroitina) — divida em porções menores e mais frequentes para evitar desconforto gástrico. E para a hidratação, mantenha água fresca sempre disponível, talvez com fontes ou bebedouros elevados para facilitar o acesso”, detalha o médico.

(Foto: Reprodução/Internet)
Outro fator importante é em relação aos horários, segundo o veterinário. O segredo é observar o pet e ajustar ao que ele aguenta.
“Refeições e passeios no mesmo horário para regular o metabolismo e o sono. Nas brincadeiras, opte por sessões curtas e leves, como brinquedos interativos de baixa intensidade (bolinhas macias para cães ou penas para gatos), focando em estímulo mental em vez de físico para evitar fadiga ou lesões”, diz.
Cuidados preventivos
Para que seu pet tenha mais qualidade de vida durante a fase sênior, é fundamental que haja um acompanhamento tanto na parte nutricional, com rações e dietas prescritas, e na parte de imunização e vermifugação. Segundo o veterinário, se o pet tiver condições crônicas como artrite ou diabetes, o acompanhamento é ainda mais frequente. Prevenção é o melhor remédio — quanto mais cedo, melhor!
“Cuidados preventivos são cruciais para detectar problemas cedo e prolongar a vida com qualidade. Recomendo consultas veterinárias a cada 6 meses para idosos, incluindo check-ups completos com exame físico, peso e avaliação comportamental. Estes Exames são essenciais: hemograma, bioquímico sanguíneo (para rins, fígado), análise de urina, fezes, raio-X ou ultrassom para articulações e coração, e às vezes ecocardiograma se houver suspeita cardíaca”, finaliza.
Casa ajustada, rotina mais suave
Com a idade, o lar também precisa se adaptar, pois o ambiente em que o animal de estimação vive pode influenciar diretamente na rotina e saúde do animal.
O engenheiro agrônomo Dinilson Ribeiro é tutor da gata Chica, de 8 anos, e do cachorro Bruce, de 12 anos, Dinilson conta que algumas mudanças foram necessárias conforme os bichinhos foram ficando mais velhos.
“A principal mudança foi no ambiente, tentar trazer mais conforto e um ambiente mais tranquilo para eles, sem tentar mexer muito na rotina que já estava acostumado. Na alimentação, foi possível notar uma seletivo maior, então procurar oferecer algo mais atrativo”, lembra.
O tutor também afirma que notou a relação de com os pets mudou longo dos anos. Mas o importante é permanecer juntos.
“Quando eles são jovens, temos a relação de brincadeira, passeios, tudo é mais rápido e enérgico. Agora, com eles idosos, a relação é muito mais de cuidado e companhia, onde a gente tenta passar a sensação de que estamos lá e dar tranquilidade para ele nessa nova fase, o que a acaba sendo complicado para o bichinho com o início das limitações”, diz.
O envelhecimento chega para todos, inclusive para eles. Com atenção, rotina ajustada e carinho, é possível garantir que essa fase seja confortável e feliz.