Suplementos alimentares: mitos e verdades
Com as rotinas cada vez mais agitadas, cresce o uso de suplementos para aumentar a disposição. Mas especialistas alertam, o consumo deve ser individualizado e feito com orientação
Com a rotina cada vez mais agitada, muitas pessoas recorrem aos suplementos alimentares para manter a energia e disposição em alta. Ingredientes como cafeína, guaraná e vitaminas do complexo B são populares, mas nem todos têm comprovação científica quanto à sua eficácia. O uso desses produtos, embora possa trazer benefícios, deve ser feito com cautela, já que o excesso pode causar efeitos colaterais.
O nutricionista Caio Maffioletti aponta que a suplementação deve ser personalizada, considerando a saúde individual e a alimentação. Embora esses suplementos possam ajudar, eles não substituem hábitos saudáveis, como uma boa alimentação, sono adequado e prática de exercícios. A orientação profissional é essencial para garantir um uso seguro e eficaz, evitando o consumo indiscriminado.

O nutricionista Caio Maffioletti aponta que a suplementação deve ser personalizada, considerando a saúde individual (Foto: arquivo pessoal)
Quais são os suplementos alimentares mais comuns utilizados para aumentar a energia e disposição?
Entre os mais populares estão a cafeína, o guaraná em pó, a taurina, o ginseng, a maca peruana e as vitaminas do complexo B. No entanto, é importante destacar que os mais consumidos nem sempre são os mais eficazes do ponto de vista científico. Suplementos como a cafeína, creatina, vitaminas do complexo B (quando há deficiência), ferro (em casos de anemia), Coenzima Q10 e beta-alanina são os que realmente possuem respaldo em evidências confiáveis quanto à melhora da disposição, desempenho físico e redução da fadiga.
Como esses suplementos funcionam no organismo e quais são seus efeitos colaterais?
A cafeína, por exemplo, atua no sistema nervoso central, bloqueando os receptores de adenosina, o que aumenta o estado de alerta e reduz o cansaço. Em excesso, pode causar efeitos colaterais como insônia, taquicardia, ansiedade e irritabilidade. A creatina atua na regeneração rápida de energia (ATP), sendo muito eficaz em atividades físicas de alta intensidade. É considerada segura quando usada corretamente e tem sua eficácia amplamente comprovada.
As vitaminas do complexo B participam do metabolismo energético, mas só fazem diferença real em casos de deficiência nutricional. Quando utilizadas sem necessidade, não trazem benefícios adicionais. O ferro é essencial para o transporte de oxigênio no sangue. Em pessoas com anemia, a suplementação pode melhorar significativamente a disposição. No entanto, seu uso sem indicação médica pode causar efeitos colaterais gastrointestinais e até sobrecarga hepática.
Já a Coenzima Q10 atua diretamente nas mitocôndrias, ajudando na produção de energia celular, sendo especialmente útil em idosos ou em casos de fadiga persistente. A beta-alanina, por fim, é eficaz para reduzir a fadiga muscular durante atividades físicas intensas, sendo mais indicada para praticantes de exercícios de alta performance.
Quais são os principais benefícios e riscos associados ao uso de suplementos alimentares para energia?
Os benefícios do uso correto desses suplementos incluem mais disposição, melhora da concentração, maior desempenho físico e recuperação muscular otimizada. No entanto, os riscos também existem e não devem ser ignorados. Entre eles estão o uso indiscriminado, os efeitos adversos, as interações medicamentosas e a falsa sensação de energia, que pode mascarar outras causas como estresse crônico, má alimentação ou privação de sono.
Como escolher os suplementos alimentares certos para cada necessidade individual?
Escolher o suplemento ideal para cada pessoa exige uma avaliação individualizada. Leva-se em consideração o objetivo, a rotina, exames laboratoriais e o histórico de saúde. É por isso que a suplementação deve sempre ser acompanhada por um nutricionista ou médico. O que funciona para uma pessoa pode não ter efeito algum para outra — ou até causar prejuízos.
Como identificar se um suplemento alimentar é seguro e eficaz?
Para saber se um suplemento é seguro e eficaz, é fundamental checar se o produto possui registro na Anvisa, se há estudos científicos que respaldam seus ingredientes e se a marca é transparente na rotulagem. Produtos que prometem milagres, como “energia instantânea” ou “100% natural e sem contraindicações” devem ser vistos com desconfiança. O mesmo vale para aqueles com preços muito abaixo da média de mercado.
Hoje em dia, existem muitos produtos falsificados circulando, com embalagens extremamente semelhantes às originais, tanto em aparência quanto em rotulagem. Em muitos casos, o conteúdo é adulterado, ineficaz ou até perigoso à saúde. Por isso, é fundamental comprar apenas de locais confiáveis, como farmácias, lojas especializadas ou plataformas de venda que sejam diretamente associadas às marcas fabricantes. Um dos principais sinais de alerta é o preço: se um suplemento está muito mais barato do que o valor original no site oficial da marca, provavelmente não é original.
Qual deve ser a principal consideração antes de iniciar uma suplementação?
Antes de pensar em suplementar, é fundamental olhar para as bases. Nada — absolutamente nada — substitui uma boa alimentação, uma boa noite de sono e uma boa hidratação. Os suplementos são, como o próprio nome diz, complementos alimentares. Se os pilares como sono, hidratação, alimentação equilibrada e consumo adequado de vitaminas e minerais (a partir de frutas, legumes, verduras e alimentos variados) estiverem bem ajustados, é muito provável que você não precise recorrer a nenhum suplemento para ter mais energia e disposição.