Tendência atual com prática ancestral
Mais do que fragrâncias agradáveis, os óleos essenciais e vegetais vêm conquistando espaço nas rotinas de autocuidado e em terapias integrativas; especialista lista benefícios
A busca por bem-estar ganhou novos aromas. Cada vez mais presentes em rotinas de autocuidado e em consultórios que adotam práticas integrativas, os óleos essenciais e vegetais saíram do nicho da aromaterapia e conquistaram espaço entre quem deseja cuidar do corpo e das emoções de forma mais natural.
Apesar de muitas vezes serem confundidos, eles têm funções distintas. “Os óleos essenciais são extraídos de partes das plantas, como flores, folhas e cascas. Eles têm ações terapêuticas e atuam mais no sistema nervoso e nas emoções”, explicou a psiquiatra Alessandra Pereira ao VIDA deste domingo (9). Já os vegetais, obtidos a partir de sementes, nutrem e protegem o corpo e a pele, podendo servir como veículo para potencializar outros nutrientes.
Mas qual é, afinal, o impacto desses óleos no organismo? Segundo a especialista, o caminho começa pelo olfato. “Os óleos essenciais penetram pelos nervos olfativos e modulam o sistema límbico, área do cérebro ligada às emoções. Isso explica por que podem acalmar, aliviar o estresse, melhorar o sono e até reduzir sintomas físicos ligados a dores de cabeça ou tensão muscular”, disse Alessandra.
Tradição e ciência

Segundo Alessandra Pereira, o aumento recente no interesse por esse tipo de cuidado tem ligação com uma mudança de percepção sobre saúde. (Foto: Reprodução)
Se antes o uso era associado apenas a tradições populares, hoje, a ciência já ajuda a sustentar parte dos benefícios. “Há boa base científica, sim. Muitos estudos sérios mostram efeitos ansiolíticos e antidepressivos de óleos como lavanda, bergamota e laranja-doce”, afirmou a psiquiatra. Ainda assim, ela destaca a importância da sabedoria cultural que acompanha esses ingredientes há séculos. “A ciência muitas vezes investiga o que a sabedoria popular já conhece e faz a comprovação daquilo”, acrescentou.
O aumento recente no interesse por esse tipo de cuidado, segundo Alessandra, tem ligação com uma mudança de percepção sobre saúde. “As pessoas buscam alternativas mais naturais, sensoriais e integrativas. Querem cuidar da mente e do corpo de forma mais leve, preventiva e conectada com a natureza”.
Com a popularização, no entanto, vêm também os cuidados. A médica reforça a necessidade de seguir orientações de uso seguro. “O principal é diluir bem antes do contato direto com a pele e evitar mucosas e olhos. Na aromaterapia, usar difusores em ambientes ventilados. Gestantes, crianças e pessoas com alergias devem ter orientação profissional”, orientou a especialista.
Cultura local
Na Amazônia, o movimento de redescoberta desses ingredientes encontra raízes profundas. “Somos da Amazônia. Todos fomos criados com óleos como copaíba e andiroba tratando de ferida de cachorro a garganta inflamada”, lembrou a psiquiatra.
Para ela, a tendência atual dialoga com práticas ancestrais da região. “Esses conhecimentos combinam o uso medicinal dos óleos com o emocional, mostrando como a medicina amazônica ancestral é integrativa por essência, tratando o corpo, a mente e a energia ao mesmo tempo há milhares de anos”, concluiu.